Pastor de igreja Presbiteriana de Pinheiros é afastado após acusação de assédio
O reverendo Arival Dias Casimiro, pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, pediu licença de suas funções após ser acusado de assédio e abuso espiritual por uma ex-funcionária e fechar um acordo na Justiça. Segundo a igreja, o afastamento foi solicitado pelo pastor no sábado, 12, em comum acordo com o Conselho.
Em documento apresentado pela ex-funcionária, ela afirma que os episódios ocorreram durante o período em que trabalhava na Junta Missionária de Pinheiros (JMP), ligada à igreja. A IPP afirmou que o pastor recebeu medida disciplinar após apuração e reconheceu como inconvenientes mensagens enviadas à ex-funcionária. Procurado, Casimiro não retornou.
A ex-funcionária relata que, embora não trabalhasse diretamente com Arival, o pastor passou a procurá-la com frequência no ambiente de trabalho para abraçá-la e fazer comentários sobre sua aparência. Segundo o relato, ele sugeria repetidamente que ela usasse maquiagem e roupas mais curtas para chamar atenção e fazia comentários sobre o que ela vestia.
Ela também afirma que Arival chegou a dizer, na presença de colegas, que ainda se casaria com ela. O documento relata o envio de mensagens pelo WhatsApp entre 2022 e 2024. Inicialmente relacionadas ao trabalho, as conversas teriam passado a abordar questões pessoais.
Entre as mensagens, Arival afirmava “você mexe comigo” e sugeriu, mais de uma vez, que os dois se encontrassem fora da igreja, no hall social do prédio onde ele morava, para conversar sobre o que ele sentia por ela. A ex-funcionária pediu que não recebesse mais esse tipo de mensagem e, dias depois, solicitou seu desligamento da JMP.
Ela afirmou ainda que, mesmo depois de deixar o trabalho, continuou frequentando cultos nos quais Arival não pregava. Ela diz que o pastor continuou a abordá-la nos espaços da igreja e que, posteriormente, deixou de frequentar os cultos e de participar do ministério infantil.
Reunião e pedido de perdão
Segundo o relato da ex-funcionária, integrantes da administração foram informados sobre o caso e houve uma reunião no gabinete pastoral. Ela afirma que Arival pediu perdão durante o encontro, disse que havia “caído num laço do inimigo” e que teria “invertido os papéis”.
A ex-funcionária afirma que manteve a decisão de deixar a JMP. Segundo o documento, a administração concordou em realizar sua demissão sem justa causa.
Em nota, a Igreja Presbiteriana de Pinheiros afirmou que houve um processo judicial encerrado por acordo homologado pela Justiça. Segundo a instituição, as duas partes reconheceram, “de maneira expressa e restrita”, que determinadas mensagens relacionadas ao episódio foram “inoportunas, inadequadas e infelizes”.
A igreja também informou que o caso foi analisado no âmbito eclesiástico pelo Presbitério de Pinheiros e que, após a análise dos argumentos das partes, foi aplicada uma medida disciplinar a Arival. A IPP não informou, na nota, qual foi a penalidade.
“Ele reconheceu a inconveniência das mensagens e pediu perdão pessoalmente à reclamante, na presença dos integrantes responsáveis pelo procedimento”, informou.
A IPP afirmou também que a Junta Missionária de Pinheiros foi integralmente ressarcida pelo pastor e que nem a igreja nem a JMP arcaram com os custos da indenização.
Em comunicado pastoral divulgado pela IPP, o Conselho afirmou que o assunto não havia sido tornado público anteriormente devido à “natureza velada da denúncia e do próprio processo” e afirmou que a disciplina aplicada também preservou esse caráter.
No comunicado pastoral, a igreja informou ainda que, depois de conversas com o Conselho, Arival decidiu pedir licença. “Estamos acompanhando o Rev. Arival, e sua família está entristecida com todos esses acontecimentos”, diz o texto.
O acordo homologado pela Justiça estabeleceu o pagamento de R$ 106.347,92, em parcela única, além de R$ 21.269,58 em honorários advocatícios.
A defesa da ex-funcionária afirmou que o encerramento da ação por meio de acordo representou uma forma de acolher a vítima diante das pressões enfrentadas após a exposição do caso.
Segundo a defesa, o acordo incluiu o reconhecimento expresso de uma conduta inapropriada e não contém qualquer declaração da ex-funcionária negando a ocorrência de assédio ou retirando as afirmações apresentadas no processo.
A defesa acrescentou que, mesmo após o encerramento da ação judicial, ela continuou sustentando a existência de assédio no processo eclesiástico.
