Petrobras elege Guilherme Mello, do Ministério do Planejamento, para presidir seu conselho

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A Petrobras elegeu seu novo conselho de administração. Em assembleia, os acionistas renovaram pela metade o órgão, que passa a ser presidido por Guilherme Mello, secretário executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento. Ele assume a cadeira no lugar de Bruno Moretti, que renunciou para assumir o Ministério do Planejamento.

A renovação ocorre em um momento em que a estatal volta aos holofotes por ter sido alvo de críticas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Após falas de Lula, a estatal demitiu um diretor e devolveu às distribuidoras parte do ágio obtido em leilão de GLP.

A alta do petróleo também é um ponto de preocupação para a companhia. Se, por um lado, a estatal é beneficiada pelas vendas de óleo cru; do outro, é pressionada para manter os preços dos derivados sob controle, para que a alta volatilidade do mercado internacional não chegue ao bolso do consumidor brasileiro.

Como esperado, a União manteve seis das 11 cadeiras no conselho. Os minoritários permaneceram com quatro assentos. A eleição marcou a volta do advogado Marcelo Gasparino ao conselho. Ele havia renunciado ao cargo no ano passado para tentar um assento no conselho de administração da Axia (ex-Eletrobras), mas não foi eleito.

O conselho de administração, com mandato até 2028. passa a ser composto por:

Indicados pela União

Fábio Henrique Bittes Terra, Guilherme Mello, José Fernando Coura, Magda Chambriard (a CEO), Marcelo Weick Pogliese e Renato Galuppo

Indicados pelos minoritários

Francisco Petros, José João Abdalla, Marcelo Gasparino e Rachel de Oliveira Maia

Representante dos empregados

Rosângela Buzanelli já havia sido eleita pelos funcionários da Petrobras e teve seu nome confirmado pelo representante da União presente na assembleia.

Petros superou a candidatura de Márcio Girão Barroso, que obteve 1,09% votos (22.434.992 ações). “Os próximos dois anos prometem enormes desafios para a Petrobras, seja na transição energética, não muito valorizada pela empresa nesse momento no novo cenário geopolítico e econômico, seja nos desafios para o suprimento de equipamentos e bens de capital”, disse Petros ao Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, após a eleição.

Petros também ressaltou as condições financeiras do mercado, como a situação dos preços de energia e dos combustíveis, como desafiadoras à governança da empresa. “(Os desafios) para a governança corporativa da empresa, sempre sujeita às variáveis e humores políticos e de outras ordens, para as políticas de conformidade, importantíssimas para a estabilidade gerencial e da supervisão superior reforçam que tempos difíceis requerem espírito altivo”, avaliou.

Por meio de rede social, Gasparino também se manifestou: “Seguimos firmes na construção de valor sustentável, com visão estratégica e foco no longo prazo, em sintonia com os investidores institucionais e com a relevância da Petrobras para o País”.

Orçamento

Na assembleia, os acionistas também aprovaram a manutenção de 11 membros no conselho e as contas da estatal no ano passado, além da proposta de orçamento de capital relativo ao exercício de 2026, e a distribuição de dividendos do período 2025. As contas da estatal foram aprovadas por 83,75% dos votos vinculados às ações ordinárias em circulação. A abstenção foi de 16,25%.

Em relação ao orçamento de capital, a estatal propõe para 2026, investimentos de R$ 114 bilhões. A maior parte desse montante, R$ 83,6 bilhões, será destinada ao segmento de Exploração & Produção, “refletindo a prioridade da empresa em expandir suas operações nessa área”.

Além disso, R$ 19,9 bilhões serão alocados para Refino, Transporte e Comercialização, enquanto R$ 7,5 bilhões serão investidos em Gás e Energias de Baixo Carbono. Por fim, R$ 3 bilhões serão direcionados para o setor Corporativo. A proposta foi aprovada por 84,56% do total de ações ordinárias em circulação, enquanto a abstenção foi de 15,43%.

Dividendos

A proposta de dividendos relativos ao exercício de 2025 também teve aprovação de 84,56% para o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor total de R$ 41,2 bilhões, correspondendo a R$ 3,20 por ação preferencial e ordinária em circulação.

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Estadão

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