PF: ofensiva contra grupo que lavava dinheiro com criptoativos após prisão de ‘contador do PCC’

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 21, a Operação Narco Azimut, desdobramento das investigações da Operação Narco Bet. As apurações identificaram a atuação de uma ‘associação criminosa estruturada’, segundo a PF, voltada à movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e criptoativos no Brasil e no exterior, com o objetivo de lavar dinheiro do crime organizado.

A Operação Narco Azimut cumpre sete mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo juiz Roberto Lemos dos Santos, da 5ª Vara Federal de Santos, em endereços na Baixada Santista, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos, em São Paulo, além de Goiânia e em Armação de Búzios, no Rio de Janeiro.

As diligências desta quarta-feira, 21, fazem parte do mesmo escopo de investigação que prendeu Rodrigo de Paula Morgado em outubro de 2025, apontado pelos federais como contador do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os sete alvos da Polícia Federal nesta quarta são Davidson Praça Lopes, apontado como líder do esquema de lavagem com criptoativos; Fernando Henrique Cateano da Cunha, sócio de Davidson e responsável pela movimentação das criptomoedas; Ezequiel da Silva, descrito como gestor estratégico do grupo criminoso; João Gabriel de Jesus Fernandes, operador logístico do esquema; Rafael Pio de Almeida, responsável pelo transporte de dinheiro vivo na Baixada Santista; Marcelo Henrique Antunes da Palma, apontado como intermediário de operações de alto valor; e Júlio Cesar Oliveira Otaviano, encarregado do repasses de valores por meio de transferências bancárias e criptoativos.

O Estadão busca contato com a defesa dos investigados. O espaço está aberto.

As transações do grupo criminoso, segundo a PF, atingiram a quantia de R$ 39 milhões. “Destacando-se desse montante, aproximadamente R$ 15,5 milhões movimentados em espécie, R$ 8,7 milhões por meio de transferências bancárias e R$ 15,4 milhões em criptoativos”, aponta a decisão judicial que autorizou a operação.

A Justiça também determinou o sequestro de bens dos investigados e impôs restrições societárias, como a proibição de movimentação das empresas e de transferência de bens adquiridos com o dinheiro do crime. Ao todo, foram bloqueados R$ 671.488.826,30 dos investigados.

Ligação com ‘contador do PCC’

O inquérito da Polícia Federal no âmbito da Operação Narco Azimut afirma que Rodrigo de Paula Morgado “utilizou desse mesmo aparato criminoso para atender seus clientes, realizando pagamentos, transferências e conversões de ativos por meio da rede estruturada por Davidson Praça Lopes”, líder do esquema e alvo dos federais nesta quarta-feira.

“Tal conduta demonstra que Morgado se beneficiou dessa estrutura ilícita para viabilizar transações de alto valor, muitas delas em nome de terceiros, sem lastro contábil ou fiscal, contribuindo diretamente para a dissimulação patrimonial e evasão de divisas, circunstância essas que também notabilizam a instrumentalidade e a conexão entre as investigações”, diz a PF na documentação.

Operações Narco Bet e Narco Vela

Em abril de 2025, a PF deflagrou a Operação Narco Vela para reprimir o tráfico internacional de drogas com o uso de veleiros e barcos que seguiam do Porto de Santos, litoral paulista, com destino à Europa e África.

A investigação teve início a partir de uma comunicação do DEA (Drug Enforcement Agency), Marinha dos EUA, sobre a apreensão de 3 toneladas de cocaína em fevereiro de 2023, no interior do veleiro ‘Lobo IV’, em alto mar próximo ao continente africano.

De acordo com a Polícia Federal, Rodrigo Morgado “teve atuação decisiva na viabilização da aquisição do veleiro LOBO IV”, além de agir como “verdadeiro ‘banco particular’ de outros investigados” da operação, entre eles o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira – com cerca de 15 milhões de seguidores.

Ambos foram denunciados pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Narco Bet, desdobramento da Operação Narco Vela, que apura lavagem de dinheiro do crime organizado e foi deflagrada em outubro do ano passado.

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Estadão

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