Quais os próximos passos da investigação sobre o caso Master-BRB? Entenda

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A investigação que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB) entra agora em uma fase decisiva. Após prisões, liquidações determinadas pelo Banco Central e disputas sobre a condução do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal avança para a etapa de coleta de depoimentos.

A PF começou a ouvir nesta segunda-feira, 26, oito investigados no inquérito da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada em novembro de 2025 e levou à prisão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, a outras prisões e ao cumprimento de mandados de busca e apreensão.

As oitivas seguem até terça-feira, 27, e ocorrem por videoconferência ou em uma sala do STF, das 8h às 16h, conforme determinação do relator do caso, o ministro Dias Toffoli.

Veja quem será ouvido pela PF no âmbito da operação Compliance Zero:

Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de finanças e controladoria do BRB;

André Felipe de Oliveira Seixas Maia, empresário;

Henrique Souza e Silva, empresário;

Alberto Felix de Oliveira, superintendente de tesouraria do Banco Master;

Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do BRB;

Luiz Antonio Bull, ex-diretor executivo do Master;

Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo do Banco Master;

Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Banco Master.

Cronograma alterado

Inicialmente, os investigadores pretendiam distribuir os depoimentos ao longo da última semana de janeiro e da primeira de fevereiro. O cronograma, porém, foi alterado após a ordem do ministro Dias Toffoli para concentrar as oitivas em dois dias consecutivos no tribunal.

Entre os investigados estão diretores do Banco Master e do BRB, além de empresários e ex-executivos ligados às instituições financeiras. A expectativa da PF é aprofundar as apurações sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas de crédito ao BRB e sobre uma estrutura paralela de fundos e ativos inflados que teria elevado artificialmente o patrimônio do Master em operações com a gestora Reag DTVM, somando outros R$ 11,5 bilhões, segundo o Banco Central.

A condução do inquérito tem sido marcada por embates entre a Polícia Federal e o relator. Além de definir o formato e o local das oitivas, Toffoli determinou que os celulares apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero permanecessem acautelados exclusivamente na Procuradoria-Geral da República (PGR), o que restringiu o acesso direto da PF aos aparelhos.

Em decisão anterior, o ministro havia determinado que todos os itens apreendidos fossem encaminhados ao STF. O recuo para permitir o acesso da PGR ocorreu após pedidos de reconsideração da Polícia Federal e da Procuradoria, que alertaram para o risco de perda de dados caso a extração não fosse feita rapidamente, em razão das características técnicas dos aparelhos.

Nesta segunda, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que o inquérito tramita em “absoluta regularidade” sob a relatoria de Toffoli. Decisões recentes do ministro, no entanto, foram avaliadas por agentes federais como interferência indevida nas atribuições da corporação e na condução da investigação.

Segundo Andrei, a expectativa é que os depoimentos tragam informações relevantes para a instrução do processo. “Os delegados devem fazer perguntas”, afirmou.

A primeira fase da Operação Compliance Zero levou à prisão de Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Ele é acusado de liderar o esquema que teria vendido créditos fictícios ao BRB, mas acabou solto.

Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central também decretou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – nova denominação da Reag Trust – no último dia 15, e do Will Bank na última quarta-feira, 21.

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Estadão

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