Queda da Selic no radar em março reforça apetite e Ibovespa vai a inéditos 186 mil pontos

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Um iminente corte de juros no Brasil pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em março estimular o Ibovespa no começo do pregão desta quinta-feira, 29, a despeito de ontem ter fechado com mais uma marca inédita, aos 184.691,05 pontos (alta de 1,52%). Apesar da indicação de recuo à frente da Selic, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos seguirá elevado, crescendo a expectativa de que investidores estrangeiros continuarão aportando na B3, por enquanto.

A valorização de 1,78% do minério de ferro em Dalian, na China, o avanço de cerca de 3,50% do petróleo no exterior. Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã ao afirmar o tempo para a realização de uma acordo nuclear

No pré-mercado de ações em Nova York, os índices avançam moderadamente, após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manter a taxa de juros estável nos EUA pela primeira vez desde julho do ano passado e evitar dar sinais de quando voltará a flexibilizá-la.

Segundo Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, uma junção de fatores estimula o principal indicador da B3, como dados e balanços positivos nos EUA e o sinal de queda da Selic pelo Copom. “A alta das commodities e sinalização de corte dos juros pelo Banco Central em março permitem o Ibovespa andar um pouco mais, em manhã ainda de queda dos juros futuros e do dólar, estimulando fluxo”, diz.

Também na véspera, após o fechamento da B3, o Copom manteve a taxa Selic em 15,00% ao ano, como o esperado, e deixou claro que o próximo movimento será de queda. Muitos departamentos econômicos já tinham em seus cenários início de quedas de juros no encontro seguinte, que será em março, como retratou pesquisa Projeções Broadcast, recentemente. Agora, diante do tom assertivo do Banco Central no comunicado do Copom, as apostas quanto a um ritmo maior de corte do que 0,25 ponto porcentual não podem ser desprezadas pelos departamentos econômicos.

“Há propensão a risco, e isso se espalha para outros ativos brasileiros. Especialmente os juros futuros curtos caem. O dólar continua caindo, pois há muita gordura no carry trade. Mesmo se os Estados Unidos voltar a cortar juros, a tendência é que investidores estrangeiros continuem surfando tudo isso. Ou seja, mesmo que a Selic caia, estamos falando de uma taxa em 12% ao final do ciclo – elevada”, descreve Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Para Lucca Macieira, analista de Mercado da Victrix Capital, o Ibovespa reage bem após o Copom. “Principalmente devido à comunicação do BC, que foi relativamente mais dovish do que o mercado esperava. Esse fator deve sustentar o otimismo para bolsa brasileira”, estima.

No comunicado, o Copom indicou que, caso o cenário esperado se confirme, antevê iniciar a flexibilização da política monetária já na próxima reunião, ao mesmo tempo em que reforçou que manterá o grau de restrição necessário para assegurar a convergência da inflação à meta, menciona Macieira. “A mensagem reforça que o processo de cortes será gradual e dependente de dados”, diz.

Entre os destaques da agenda desta quinta-feira, estão dados fiscais e Caged, ambos de dezembro e 2025. Esse último sairá às 14h30. Quanto às contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), houve superávit primário de R$ 22,107 bilhões em dezembro, depois de déficit. O resultado foi maior do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para um resultado positivo de R$ 16,850 bilhões. No ano, fechou com déficit primário de R$ 61,691 bilhões.

Mais cedo, saiu o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), com alta de 0,41% em janeiro, após queda de 0,01% em dezembro. A variação no mês ficou levemente abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,42%.

No exterior, ficam no foco a balança comercial, pedidos semanais de auxílio-desemprego e custo unitário de mão de obra nos EUA. Após o fechamento dos mercados, a Apple e Visa divulgarão balanços.

Às 11h12, o Ibovespa tinha alta de 0,66%, a 185.908,94 pontos, avançando 15,38% em janeiro. Na máxima, subiu 0,95%, alcançando 186.449,75 pontos, o que representa um salto de quase 1.760 pontos em relação à mínima de abertura aos 184.691,70 pontos, com variação zero.

Ações de primeira linha como Petrobras lideram as altas, com avanço de até 2,80%, na esteira ainda dos ganhos de mais de 3% do petróleo. Vale subia 1,98%. Já entre o setor de grandes bancos, Bradesco zerava alta e Banco do Brasil subia 1,65%, sendo a maior elevação do segmento. Papéis mais sensíveis a juros também são destaque, como Magazine Luiza (1,98%).

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Estadão

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