Quem é Tiago Cavalcanti, recomendação de Haddad para diretoria do BC

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou nesta terça-feira, 3, ter sugerido ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o nome do economista Tiago Cavalcanti para uma das vagas abertas no Banco Central. O outro nome sugerido foi do secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello.

Se efetivamente indicado para uma das duas vagas abertas no BC – as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução -, Cavalcanti terá mandato até 31 de dezembro de 2029.

Cavalcanti é graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre e doutor na mesma área pela Universidade de Illinois – a mesma na qual o atual diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, obteve o seu doutorado.

Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o nome de Cavalcanti já era cotado pelo mercado.

Hoje, o economista é professor da Universidade de Cambridge, do Reino Unido; fellow da Trinity College, da mesma universidade; e professor em meio período da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV) – esta última, a mesma instituição na qual Picchetti leciona.

Cavalcanti tem um histórico de envolvimento com política, mas não com o PT. No seu currículo Lattes, ele relata ter “participado das discussões econômicas” das campanhas presidenciais de Eduardo Campos e Marina Silva, em 2014. Uma entrevista da revista Veja de 2014 cita o economista como “assessor econômico” de Marina.

Nessa entrevista, Cavalcanti defendeu a concessão de autonomia do BC. À época, essa era uma das bandeiras da campanha de Marina, que disputava as eleições contra a então presidente Dilma Rousseff (PT). Ele comparou a resistência à independência da autoridade monetária à que foi enfrentada pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O economista afirmou, ainda, que a meta de inflação deveria ser cadente ao longo do tempo – está em 3% hoje, contra 4,5% à época. E criticou a política econômica do governo Dilma, que reduziu juros e ampliou gastos fiscais, na chamada “nova matriz econômica”.

Mais recentemente, Cavalcanti mantém uma coluna no jornal Valor Econômico, onde já defendeu os “avanços institucionais significativos” do Banco Central com a introdução do Pix e o aumento da competição entre adquirentes das maquininhas de cartões, em um artigo de junho de 2024. Essas áreas estariam sob a competência da diretoria de Organização do Sistema Financeiro, uma das que estão vagas.

Em outro artigo, de agosto de 2025, o economista alertou para pressões de grupos de interesse sobre bancos centrais, que buscam direcionar as suas atuações para objetivos privados ou setoriais, apesar da independência formal. Falando mais especificamente sobre normas prudenciais e a promoção da concorrência bancária, ele defendeu que os BCs devem preservar seus mandatos de controle da inflação e garantia da estabilidade financeira.

“Ao se desviarem dessas funções, os bancos centrais comprometem a confiança pública, fragilizam o equilíbrio macroeconômico e, em última instância, impõem custos à sociedade e aos contribuintes”, escreveu.

Em janeiro do ano passado, Cavalcanti assinou um working paper do Banco Central, em parceria com economistas da própria instituição, do Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês) e de outras universidades, sobre o potencial de reformas financeiras para reduzir desigualdades no mercado de crédito.

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Estadão

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