Reeves chama guerra dos EUA com Irã de ‘loucura’ e alerta para impacto econômico no Reino Unido
A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, criticou a condução dos Estados Unidos na guerra contra o Irã e afirmou que o conflito, além de carecer de um plano claro, já provoca impacto direto sobre famílias e empresas britânicas, com alta nos custos de energia, inflação e crédito.
Em entrevista ao Mirror, Reeves classificou como uma “loucura” a decisão de Washington de entrar no conflito sem estratégia de saída e disse estar “muito frustrada e irritada” com os desdobramentos. Segundo ela, o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, tem pressionado os preços de gás e eletricidade no Reino Unido. “Esta é uma guerra que não começamos e que não queríamos”, afirmou, ao destacar os efeitos sobre o custo de vida.
A ministra reforçou, em evento organizado pela CNBC nesta quarta-feira, 15, que famílias e empresas já enfrentam “preços mais altos e custos de empréstimos maiores” em função do conflito e defendeu a desescalada como prioridade. Segundo ela, reabrir Ormuz é essencial para normalizar o fluxo de energia e aliviar a pressão inflacionária, além de ajudar a reduzir juros. Reeves também questionou a falta de clareza sobre os objetivos da ofensiva e afirmou não estar convencida de que o mundo esteja “mais seguro” após a escalada, defendendo a retomada de negociações diplomáticas que já estavam em curso antes do conflito.
No campo político, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra o governo britânico. Em entrevista à Sky News, ele elogiou o rei Charles III, mas classificou como “um erro trágico” decisões do primeiro-ministro Keir Starmer, especialmente na política energética e migratória. Trump também afirmou que políticas do Reino Unido são “insanas” e prejudicam o país, além de avaliar que a relação bilateral “já foi melhor” e pode ser revista.
Apesar das críticas, Trump disse que um acordo envolvendo o Irã ainda é “muito possível”, enquanto líderes europeus articulam esforços diplomáticos para conter a crise e reabrir o Estreito de Ormuz, ponto considerado central para estabilizar os preços de energia e o cenário econômico global.

