Relator da CPI do Crime Organizado quer convocação de mulher de Moraes e irmãos de Toffoli

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou requerimentos para convocar a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e os irmãos do ministro da Corte Dias Toffoli a prestarem depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado.

No pedido sobre Viviane, Vieira afirma que a convocação é necessária para esclarecer a hipótese de “uso de serviços jurídicos como mecanismo de lavagem de dinheiro e de blindagem patrimonial de recursos oriundos de organizações criminosas”.

Já os requerimentos de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli baseiam-se em “indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação no âmbito da segurança pública e do sistema financeiro”.

Procurada por meio do escritório Barci de Moraes, Viviane não respondeu à reportagem. O Estadão também tenta contato com os irmãos de Toffoli. O espaço segue aberto.

Os requerimentos foram apresentados à CPI na última segunda-feira, 2, no início do ano legislativo. A próxima sessão do colegiado está prevista para 10 de fevereiro, quando os pedidos podem ser analisados pelos parlamentares.

No documento sobre a mulher de Moraes, o senador cita o contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a sociedade Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pelo jornal O Globo. De acordo com o senador, o montante apresenta “desconexão manifesta” com os valores praticados no mercado para o tipo de serviço prestado, o que levanta a suspeita de negócio jurídico simulado.

O parlamentar cita ainda investigações da Operação Carbono Oculto, que apontam que o Banco Master teria sido capitalizado com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas, operacionalizados por meio da emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) pela gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust. Nesse contexto, os pagamentos à sociedade de advogados poderiam, em tese, configurar o crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998.

O requerimento destaca também que a constituição de uma nova banca do escritório em Brasília ocorreu em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do mesmo ano, o que, segundo Vieira, reforça suspeitas de manobras de estratificação patrimonial. O senador afirma ainda que o tratamento prioritário dado a esses pagamentos, em detrimento de outros credores, exige esclarecimentos sobre eventual tráfico de influência e exploração de prestígio junto ao Judiciário e à administração pública.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram um requerimento na semana passada na CPI do Crime Organizado pedindo a quebra de sigilo bancário e fiscal da advogada Viviane Barci.

O pedido abrange o período de 1.º de janeiro de 2024 a 1.º de janeiro de 2026 e solicita o acesso a movimentações financeiras, dados fiscais, investimentos e registros em sistemas de controle do Estado, como Receita Federal, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em outros requerimentos apresentados na segunda-feira, o relator da CPI pede a convocação dos irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, e do primo do ministro, Mario Umberto Degani.

“Os três possuíam relações societárias com a Maridt Participações S.A. ou com a DGEP Empreendimentos e Participações Ltda., pessoas jurídicas que detinham participação no Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro (PR). A Maridt e a DGEP transferiram suas cotas do resort Tayayá para o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e a PHD Holding”, diz o documento.

Segundo Vieira, a intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF DTVM (antiga Reag Trust), traz o tema para o escopo da CPI. “A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC)”, diz o texto.

O senador cita ainda reportagem do Estadão, que mostrou que a casa de José Eugênio Dias Toffoli aparece como sede da empresa que vendeu a fundo de cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, parte de resort no Paraná por R$ 3 milhões. No local, a mulher do irmão do ministro afirmou que o marido nunca foi dono de resort.

“Destaque-se também a existência de notícias demonstrando que o estilo de vida dos familiares do Ministro é incompatível com a negociação milionária envolvendo o resort”, afirma Vieira.

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Estadão

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