Renan Santos: País tem cenário de ‘forte despolitização’ e crescimento de Cury foi ‘inorgânico’
O candidato da Missão à Presidência da República, Renan Santos, chamou de “inorgânico” o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas e disse que a candidatura do escritor e psiquiatra é beneficiada por um cenário de “forte despolitização” no Brasil. Em entrevista ao Estadão nesta segunda-feira, 31, Renan disse que Cury, que saltou de 2% para 11% das intenções de voto na mais recente pesquisa BTG/Nexus, “não tem muita substância” e avaliou que sua candidatura pode não resistir a sabatinas e debates.
“Há um momento de forte despolitização no Brasil. É a eleição mais desengajada que eu vi desde 2010”, afirmou Renan, acrescentando que essa conjuntura acaba beneficiando o adversário do Avante. “Para as pessoas que estão cansadas da hiperpolitização nos últimos anos, talvez (Cury) seja um produto que faça sentido momentaneamente.”
Na entrevista, Renan minimizou a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de retirar de pauta o julgamento do registro de sua candidatura. Ele classificou a decisão como “meio ridícula” e garantiu que não está preocupado.
“Eu não vou tirar nenhuma conclusão precipitada. A gente fez manifestações pedindo o afastamento do Dias Toffoli, mas eu prefiro crer que é só um procedimento normal.”
Afirmando ter vindo à entrevista para “perder votos”, Renan defendeu medidas duras e impopulares para a economia. Criticou o programa Desenrola, dizendo ser o equivalente a “vender a janta para pagar o almoço”, pregou colocar restrições ao crédito consignado e propôs a proibição das Bets, que avalia ser “uma doença que tem que ser tratada como patologia”. O candidato também defendeu a desindexação das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo, afirmando que a medida impedirá o iminente colapso das contas públicas.
