Rybakina consolida ascensão com título na Austrália, 3º posto no ranking e ajuda do Cazaquistão
“Obrigada, Cazaquistão, sempre sinto o seu apoio”. O emocionado agradecimento especial de Elena Rybakina ao país que a acolheu foi feito com o troféu Daphne Akhurst Memorial Cup em mãos, diante da torcida que lotava a Rod Laver Arena, em Melbourne, após a vitória sobre Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, na decisão do Australian Open, neste sábado.
A conquista levou a tenista de 26 anos, nascida em Moscou, na Rússia, e naturalizada cazaque, de volta ao posto de número 3 do mundo – vai superar as americanas Coco Gauff e Amanda Anisimova na lista desta segunda-feira e igualar sua melhor posição no ranking da WTA – e mostrou a maturidade que ela adquiriu após uma série de polêmicas, lesões e problemas de saúde.
Rybakina é fruto de um ambicioso projeto do Cazaquistão para ter prestígio no tênis em 15 anos. Antigo vice-Ministro de Assuntos Econômicos Externos do país após a independência da União Soviética, em 1991, e atual presidente da Federação de Tênis do país asiático, o empresário Bulat Utemuratov investiu mais de US$ 2,3 bilhões desde 2007 para atingir o objetivo.
Ele construiu 38 centros de tênis nas 17 regiões do país e recrutou promissores jogadores russos em busca de apoio e melhores condições de treinamento, entre eles, Elena Rybakina, em 2018. Campeã em Wimbledon em 2022, a tenista conquistou o WTA Finals de 2025, também sobre Sabalenka, após conseguir a 8ª e última vaga no torneio, e tem derrubado as principais jogadoras da atualidade – passou por Iga Swiatek, número 2 do mundo, e Jessica Pegula (6ª) no caminho até o título.
“É difícil encontrar palavras agora”, disse Rybakina durante a entrega do troféu. “Quero parabenizar a Aryna pelos resultados incríveis dos últimos dois anos. E sei que é difícil agora, mas espero que possamos jogar muitas outras finais juntas”, disse a jovem, que abusou dos seus saques precisos e potentes e demonstrou frieza ao virar o set decisivo por 6/4 após sair atrás por 0/3.
Utemuratov acompanhou sua pupila levantar o troféu no Melbourne Park no banco de reservas da atleta, ao lado do treinador croata Stefano Vukov, que chegou a ser suspenso pela WTA e que há um ano teve sua credencial para o Australian Open negada por suposto abuso psicológico da jogadora que ele levou ao topo, sob protestos da atleta. Eles reataram a parceria após um breve rompimento de cinco meses.
“Acho que temos trabalhado muito com a equipe, e eles também me apoiaram muito. Nos momentos em que eu não estava tão positiva, eles me ajudaram”, disse Rybakina. “Todos temos altos e baixos, mas sempre acreditei que poderia voltar ao nível que eu tinha”, acrescentou, colocando uma pedra no passado para focar em novos títulos de Grand Slams e na busca pelo topo do ranking.

