Secretário de Trump cita trecho do filme ‘Pulp Fiction’ como se fosse passagem bíblica
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, citou uma fala do filme Pulp Fiction, de 1994, dirigido por Quentin Tarantino, como se fosse uma passagem bíblica durante o culto mensal que costuma fazer no Pentágono.
Hegseth acreditou que citava um trecho atribuído a Ezequiel 25:17. Entretanto, reproduziu o que o personagem de Samuel L. Jackson, Jules Winnfield, recita antes de cometer um assassinato.
Durante o discurso, na última quarta-feira, 15, Hegseth afirmou que o texto teria sido utilizado como uma espécie de oração por um piloto ligado ao planejamento de uma missão militar americana no Irã.
“Bendito seja aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião de seu irmão e o protetor das crianças perdidas”.
O trecho segue: “E eu me vingarei com grande fúria e ira daqueles que tentarem capturar e destruir meu irmão, e saberão que meu nome é o Senhor quando eu lançar minha vingança sobre eles”.
Apesar de remeter a um texto religioso, a versão citada não corresponde a uma passagem bíblica.
As mensagens de cunho religioso fazem parte da rotina do secretário que tem promovido cultos cristãos mensais para funcionários do Departamento de Defesa. Vídeos institucionais da pasta também exibem versículos bíblicos ao lado de imagens militares.
Em discursos e entrevistas, o secretário afirma com frequência que os Estados Unidos foram fundados como uma nação cristã e defende que militares devem abraçar a fé. A retórica religiosa ganhou novo peso após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, uma teocracia islâmica.
Hegseth tem histórico de declarações em defesa das Cruzadas, as guerras medievais travadas entre cristãos e muçulmanos. Em seu livro de 2020, American Crusade, escreveu que aqueles que valorizam a civilização ocidental deveriam “agradecer a um cruzado”.
O secretário também tem tatuagens inspiradas na iconografia desse período, como a Cruz de Jerusalém e a expressão “Deus Vult”, descrita por ele como “o grito de guerra dos cavaleiros cristãos em sua marcha para Jerusalém”.
*Com informações da Associated Press.

