SP decide sobre tombamento de vilinha na Vila Mariana e reforma de serraria do Ibirapuera

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O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio da Cidade de São Paulo (Conpresp) pretende decidir nesta segunda-feira, 23, sobre o tombamento da vilinha de casarões da Vila Mariana e sobre a reforma para construção de uma academia na Serraria do Parque do Ibirapuera, onde há obra paisagística de Roberto Burle Marx. Ambos os locais ficam na zona oeste da capital.

Vilinha da Vila Mariana

Sete sobrados construídos por volta de 1930 por imigrantes italianos entre a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e a Rua Doutor Fabrício Vampré ganharam o apelido de “vilinha” da Vila Mariana após a mobilização da vizinhança para evitar a demolição dos casarões.

O local está desabitado desde 2017, quando os últimos inquilinos foram despejados dos casarões pela então proprietária do terreno. Desde 2019, a área está cercada por tapumes e muros, à espera de ser preservada ou substituída por prédios.

O pedido de tombamento foi protocolado ainda em 2006 por moradores do bairro. O Conpresp iniciou a análise em 2019, mas até agora não houve decisão.

Ao abrir o processo, o conselho argumentou “valor ambiental, histórico, arquitetônico e afetivo da vila”. “(Há) valor testemunhal do conjunto sobre um saber fazer ligado a construtores imigrantes de origem italiana e valor afetivo para os seus moradores. A tipologia é caracterizada do bairro e a vila permanece íntegra e preservada.”

O Conpresp ainda reconheceu a área como vila devido ao “espaço livre e denso jardim”.

A análise do tombamento proibiu qualquer intervenção nos imóveis, sem aprovação prévia do conselho. O Estadão não conseguiu contato com a atual proprietária do terreno.

Serraria de Burle Marx

A Urbia, concessionária do Parque Ibirapuera, solicitou ao Conpresp permissão para transformar a antiga serraria, bem tombado no formato de grande galpão retangular, em uma academia.

A área técnica do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) emitiu parecer contrário. Associações de moradores se opõem ao projeto.

Uma das obras menos conhecidas do paisagista Roberto Burle Marx, a praça da Serraria é usada hoje gratuitamente para a prática de ioga, meditação, tai chi chuan, exercícios físicos, feiras, rodas de leitura e lazer ao ar livre.

O galpão foi erguido na década de 1940, antes da criação do parque, que ocorreu em 1954, e servia para a conservação de bondes e marcenaria. É considerado um remanescente da fase industrial da cidade. Em 1992, o espaço foi requalificado por Burle Marx, que o integrou a uma praça com espelhos d’água e vegetação nativa, junto ao viveiro próximo.

A Urbia pretende colocar estruturas removíveis para não impactar o bem tombado. O projeto pretende instalar uma academia, com espaços para exercícios físicos, como crossfit e musculação. O galpão seria parcialmente fechado, formando 14 vãos livres, com vidros e madeiras. O plano prevê também a construção de uma laje como piso superior, onde funcionaria a academia.

A concessionária diz que o projeto da Serraria dá continuidade ao restauro da Praça Burle Marx, no Ibirapuera: “Trata-se de uma proposta cuidadosamente desenvolvida para valorizar o patrimônio histórico, qualificar o uso público e devolver protagonismo a uma área hoje subutilizada do parque”.

Em 20 de janeiro deste ano, a área técnica do DPH disse que o projeto contraria o Plano de Intervenções do Parque do Ibirapuera por fechar um espaço aberto maior que o autorizado. O parecer avalia que isso compromete a fluidez visual e limita o uso público do espaço.

O documento considera ainda que a intervenção traz impacto negativo em um exemplar raro de Burle Marx.

A Urbia afirma que a proposta atual foi aprovada pelo Iphan e Condephaat, e está aguardando a aprovação do Conpresp. “Há uma única manifestação técnica divergente em análise, dentro do rito regular de deliberação do Conpresp, o que faz parte do processo institucional de avaliação”, diz.

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa informou que qualquer intervenção nos elementos constitutivos do parque, o que inclui a serraria e a praça, demanda autorização prévia do Conpresp.

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Estadão

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