Starmer renuncia ao Parlamento britânico e diz que irá focar em ‘assuntos internacionais’

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O ex-primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que renunciou em julho, disse nesta terça-feira (1) que deixará seu assento como deputado por Holborn e St. Pancras para se concentrar em “assuntos internacionais”.

“Chegou a hora de eu dar um passo atrás e me concentrar em outros assuntos: assuntos internacionais, particularmente defesa, segurança, comércio e tecnologia, em um mundo em rápida transformação”, declarou o político trabalhista.

Uma eleição suplementar será realizada em breve para substituí-lo nesta circunscrição londrina, onde atuou como deputado por 11 anos e que é considerada um reduto trabalhista.

Starmer tornou-se primeiro-ministro em julho de 2014, após a vitória esmagadora de seu partido nas eleições gerais, que pôs fim a 14 anos de governo conservador.

Após quase dois anos no poder, ele renunciou em 22 de junho, depois de se tornar impopular tanto nacionalmente quanto dentro de seu próprio partido, em decorrência de decisões controversas e derrotas em eleições locais.

Sua relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, após um início promissor, enfrentou dificuldades. O ex-primeiro-ministro britânico tornou-se alvo de críticas do presidente depois de se recusar a apoiar integralmente os ataques israelenses-americanos contra o Irã.

Polêmicas e relação com Epstein

A liderança do ex-premiê começou a ser mais fortemente questionada em fevereiro, após a repercussão dos laços do ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

Mandelson havia sido nomeado pelo próprio premiê em fevereiro do ano anterior e permaneceu no cargo por sete meses, antes de deixar a função em meio ao avanço das investigações e das pressões políticas.

Em fevereiro, o ex-embaixador chegou a ser detido por suspeita de má conduta no exercício de função pública, após documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicarem que ele teria compartilhado informações confidenciais e recebido recursos financeiros ligados a Epstein.

O episódio se tornou um dos principais focos de desgaste do governo e passou a alimentar a crise política que levou à queda de Starmer, ampliando a pressão sobre o premiê em um momento de crescente fragilização de sua liderança.

A controvérsia levou à renúncia do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, que afirmou ter recomendado a nomeação e classificou a decisão como um erro.

Na política externa, Starmer também enfrentou atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou publicamente a demora do Reino Unido em autorizar o uso de bases militares britânicas por forças americanas em operações contra o Irã.

Segundo Trump, a hesitação foi “inédita entre nossos países”. Após a pressão, o governo britânico autorizou o uso limitado de instalações estratégicas, entre elas a base de Diego Garcia, para ações classificadas como defensivas.

No cenário interno, o governo enfrentou um revés relevante nas eleições locais e regionais de maio de 2026, vistas como um teste da popularidade do premiê. O resultado foi interpretado como sinal de desgaste do Partido Trabalhista no poder e ampliou a pressão por maior velocidade na entrega de resultados econômicos e sociais.

Ao longo do ano, Starmer negou ao menos cinco vezes qualquer intenção de renunciar, mesmo diante do avanço das críticas e das especulações sobre sua permanência no cargo. Ainda assim, reconheceu em diferentes ocasiões o descontentamento do eleitorado com o ritmo das mudanças.

Esse desgaste se refletiu também no avanço do Reform UK, legenda de direita radical liderada por Nigel Farage, que passou a crescer nas pesquisas e a capitalizar a insatisfação com o governo.

Eleito em 2024 com ampla maioria parlamentar após 14 anos de domínio conservador, Starmer chegou ao poder prometendo reduzir o custo de vida, melhorar os serviços públicos e adotar uma gestão mais pragmática.

Ao longo dos primeiros anos de governo, no entanto, esses compromissos passaram a ser questionados diante da percepção de lentidão na implementação das medidas.

Desde o primeiro discurso como premiê, Starmer defendia um governo “não sobrecarregado pela doutrina”, comprometido em reconstruir a infraestrutura de oportunidades do país e restaurar a confiança na política.

No entanto, ao longo do mandato, a distância entre as promessas iniciais e a percepção de entrega passou a alimentar críticas tanto da oposição quanto de setores internos do próprio Partido Trabalhista.

A pressão acumulada dentro da legenda acabou levando à renúncia de Starmer da liderança do Partido, pouco menos de dois anos após assumir o cargo de primeiro-ministro.

Em pronunciamento em Downing Street, ele afirmou que a decisão ocorreu no interesse do país e abriu caminho para a escolha de um novo líder da sigla, que deverá assumir também o cargo de primeiro-ministro após a conclusão da disputa interna. (Com agências internacionais).

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Estadão

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