Tarcísio, sobre Sabesp: tarifas sempre vão subir, mas menos do que se fosse empresa pública
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 18, que as tarifas da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) continuarão subindo após a privatização, mas em ritmo inferior ao que seria registrado caso a companhia permanecesse sob controle estatal.
“Isso significa que a tarifa não vai subir? Ela vai. Sempre menos do que subiria na Sabesp pública. Isso é o que tem de ficar claro”, declarou em entrevista à Record. Segundo Tarcísio, a tarifa praticada atualmente pela companhia privatizada é 15% inferior à prevista para a Sabesp pública.
A companhia foi privatizada em julho de 2024, em uma operação de R$ 14,8 bilhões que reduziu a participação do governo paulista para 18%. A Equatorial adquiriu 15% da companhia por R$ 6,9 bilhões.
O governador disse que o Estado continuará atuando por meio da fiscalização dos serviços e do fortalecimento da agência reguladora. “O que o Estado vai fazer? Garantir o cumprimento dos contratos”, afirmou.
Tarcísio também destacou que o governo paulista permanece como o maior acionista da companhia e destina integralmente os dividendos recebidos para amortecer os reajustes. Conforme explicou, o contrato de privatização estabeleceu que a curva tarifária da empresa deve permanecer abaixo daquela projetada para a companhia sob controle público.
Ao defender a desestatização, o governador citou a ampliação do abastecimento de água em bairros de Poá, Caieiras e São Bento do Sapucaí e os investimentos em coleta e tratamento de esgoto. Segundo ele, Cajamar, Francisco Morato e Franco da Rocha, que não tratavam esgoto em 2022, alcançaram índice de 70%.
Trens
Sobre as linhas de trem concedidas à iniciativa privada, que têm sido alvo de críticas de usuários, Tarcísio reconheceu que os passageiros ainda enfrentarão um período de obras antes de perceberem uma melhora mais ampla na prestação dos serviços. “É preciso entender que há uma série de investimentos que vão ser feitos a partir de agora”, declarou.
O governador afirmou que estão previstos R$ 14 bilhões em investimentos para substituir sistemas de sinalização, trilhos, dormentes, redes aéreas e subestações, além de ampliar a acessibilidade das estações. Segundo ele, a modernização da sinalização deve levar três anos e permitirá reduzir o intervalo entre as composições.
Tarcísio justificou o prazo pela necessidade de executar as intervenções sem interromper a operação diária dos trens. “Temos que trocar o pneu com o carro andando”, disse. De acordo com o governador, as equipes dispõem de aproximadamente duas horas por madrugada para realizar os trabalhos, considerando o tempo necessário para desenergizar e reativar as linhas.
