Taxas de juros longas cedem com exterior benigno e queda firme do dólar

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Após ter ganhado inclinação na última semana, a curva a termo corrigiu parte da pressão maior sobre os juros longos observada nas últimas sessões nesta segunda-feira, 9, dia marcado por redução dos prêmios de risco nesses vencimentos.

Declarações consideradas conservadoras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, levaram os trechos curtos a operarem em alta modesta em boa parte do pregão. Na reta final dos negócios, passaram a andar de lado e fecharam em queda discreta, às vésperas da divulgação do IPCA de janeiro, que pode ter levado a ajustes de posições.

Já os vértices mais distantes foram beneficiados pelo ambiente externo mais favorável à tomada de risco, que enfraqueceu o dólar e manteve a curva dos Treasuries comportada. Uma nova captação do Tesouro Nacional também contribuiu para o alívio nessa parte da curva.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 13,354% no ajuste anterior para mínima intradia de 13,335%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,746% no ajuste de sexta-feira a 12,68%. A devolução maior nos prêmios de risco foi exibida pelos trechos mais longos, com o DI para janeiro de 2031 cedendo a 13,090%, de 13,191% no ajuste.

Todos os vértices a partir de janeiro de 2028 renovaram mínimas intradia por volta das 14h20, embalados pela continuidade da tendência de rebalanceamento global de carteiras, que tem tornado mercados emergentes mais atrativos aos olhos dos investidores.

A trajetória de baixa dólar à vista, que registrou mínima de R$ 5,17 no início da tarde, deu suporte ao recuo adicional dos DIs longos. Estes vencimentos chegaram a devolver mais de 10 pontos-base na comparação com os ajustes ao longo da segunda etapa do pregão. “O vetor externo foi preponderante, com os rendimentos dos Treasuries de lado, ‘risk on’ com bolsas pra cima e a moeda americana desvalorizando bem. Um dia bom para emergentes em geral”, disse um profissional de renda fixa de uma grande asset à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz destaca que, além do pano de fundo de maior fluxo de capitais para países emergentes, em meio a uma rotação global de ativos, a percepção de que as tensões geopolíticas arrefeceram foi outro propulsor do “risk on” nos mercados internacionais nesta segunda.

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter endurecido o tom contra o Irã ao longo da última semana, não houve novidades negativas nessa frente no fim de semana, observa Cruz. “É um começo de semana bom, e parte longa da curva conversou com todos os ativos, com o câmbio depreciando e Bolsa subindo”, disse.

Os vencimentos mais curtos da curva, porém, operaram a maior parte do pregão em viés de abertura. Ao participar de evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reiterou a orientação de “parcimônia e cautela” na política monetária, para garantir a convergência da inflação à meta, e que o momento agora é de garantir a “calibragem” dos juros. As falas foram vistas como indicativo de que o BC será cauteloso na condução do ciclo de cortes, sem entregar ajustes expressivos na Selic.

Para Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, as afirmações do banqueiro central pareceram sugerir que a Selic será reduzida em 25 pontos-base na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e não 50 pontos-base. “Mas o mercado acha que o corte vai ser de 50 pontos-base por causa dos dados a serem divulgados até o próximo Copom, que devem levar o BC a concluir que é melhor 50 do que 25”, apontou Costa.

Cruz, da RB, menciona que Galípolo tem como padrão adotar postura neutra em eventos, o que não foi diferente nesta segunda. Para ele, a rigidez nas taxas curtas também refletiu a maior cautela dos agentes, que costuma marcar os dias que antecedem a publicação do IPCA. “Não faz sentido ficar exposto a prazos mais curtos”, afirmou, uma vez que o indicador deve dar direcionamento maior às apostas de curto prazo na terça.

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Estadão

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