Taxas médias e longas sobem com aversão a risco no exterior devido à guerra

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A dinâmica comportada dos juros futuros que deu o tom pela manhã, foi parcialmente revertida rumo ao final do pregão desta segunda-feira, 20. As taxas recuavam levemente em todos os vértices até o início da tarde, na esteira de sinais de retomada de negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e corrigindo parte dos excessos da última sessão. Os vencimentos médios e longos, porém, terminaram o dia em discreta alta, sucumbindo à pressão da curva dos Treasuries em meio à baixa liquidez e agenda fraca no mercado doméstico.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2027 cedeu de 13,96% no ajuste de sexta-feira a 13,915%, ancorada na perspectiva de queda da Selic no curto prazo. Já o DI de janeiro de 2029 subiu a 14,355%, vindo de 14,338% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou de 14,527% no ajuste antecedente a 14,545%.

No mesmo horário, o retorno da T-Note de 10 anos aumentava de 4,550% a 4,586%, diante da avaliação do mercado de que a persistência das tensões no Oriente Médio pode manter custos de energia em patamar elevado por mais tempo, dificultando o trabalho do Federal Reserve (Fed).

Segundo Vickie Chang, estrategista macro do Goldman Sachs, o período recente tem sido marcado por um “cabo de guerra” entre diferentes temas, como uma guinada mais ‘hawkish’ do Fed versus a queda dos preços do petróleo, e o otimismo com a IA nos EUA versus o alívio nos termos de troca para importadores de petróleo.

“Essa mistura de forças compensatórias criou mais ambiguidade para os juros americanos e para o dólar. O mercado não voltou ao patamar em que estava antes da guerra porque houve uma reavaliação mais persistente, para cima, da IA e do crescimento dos EUA, além de um choque de política monetária mais ‘hawkish’ em relação àquele ponto de partida do fim de fevereiro”, disse.

O restabelecimento da via diplomática chegou a provocar distensão no mercado local de renda fixa pela manhã, observa Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, mas o movimento não perdurou, em sua visão, devido à prevalência de um cenário externo adverso. Já por aqui, o dia não teve condutores relevantes para as taxas, avaliou.

Para Argenta, a conjuntura positiva para os mercados de juros após a divulgação de dados benignos de inflação, tanto aqui quanto nos EUA, esbarrou em uma postura mais conservadora do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Fed. “Todos os últimos discursos de dirigentes colocaram um freio no otimismo do mercado”, disse, ao mesmo tempo em que a reescalada da guerra no Oriente Médio e o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de semicondutores também trazem cautela.

A sessão desta segunda, mesmo com a virada dos juros médios e longos na etapa da tarde, foi um dia mais “corretivo” para os DIs futuros, e mais “determinado do que determinante”, define a economista-chefe da CM, para quem a semana tende a ser pouco movimentada, com nenhum dado importante tanto no Brasil quanto no exterior.

Publicado nesta manhã, o boletim Focus não chegou a fazer preço nos DIs, com revisão apenas marginal das estimativas. A projeção para a alta do IPCA em 2026 passou de 5,16% a 5,15%. Para 2027, permaneceu em 4,20% e, para 2028, teve alta mais expressiva, de 3,70% a 3,78%. “Para 2028, observamos uma revisão relevante para cima, provavelmente refletindo a proximidade da próxima reunião do Copom e a mudança no horizonte de política relevante. No geral, as mudanças em relação à semana passada foram limitadas”, apontou Andrea Bastos Damico, economista-chefe da BuysideBrazil.

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Estadão

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