Tebet diz que Orçamento é sempre restritivo, dificulta a gestão e exige escolhas políticas

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse nesta sexta-feira, 30, que o Orçamento sempre será restritivo, seja este público ou privado. Por isso, para ela, é preciso parar de gastar mal para fazer o Brasil caber no Orçamento.

“O orçamento vai ser sempre restritivo, seja o nosso orçamento privado, nunca vai ser suficiente para as nossas demandas, para os nossos anseios”, afirmou Tebet durante discurso no Insper para o lançamento do Observatório da Qualidade do Gasto Público.

Ela também criticou o gasto elevado mundial com armamento, dizendo que apenas 4% deste seria o suficiente para acabar com a fome.

“Se o orçamento é sempre restritivo, administrar é uma arte que fica cada vez mais difícil e a política é simplesmente a arte e a capacidade que nós temos que ter de fazer escolhas, escolhas possíveis, mas escolhas justas, escolhas que efetivamente atendam o interesse da sociedade brasileira”, completou a ministra.

Sobre a qualidade do gasto público brasileiro, ela afirmou que atualmente o país gasta mal. Isso porque usa muitos recursos e não tem os resultados esperados. “Pior que gastar muito é que nós estamos gastando mal”, disse.

Liberações de Lula na dependência do Congresso

A ministra do Planejamento e Orçamento afirmou ainda que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), autorizava ou não propostas de revisão de gastos baseado nas possibilidades de aprovação pelo Congresso. Os parlamentares, segundo ela, não votam projetos impopulares por visarem o processo eleitoral.

“Nós falamos: ‘presidente, precisamos cortar gastos, não é nem para fazer de novo, não é para pagar dívida, precisamos realocar esses recursos para necessidades mais básicas e prementes da sociedade'”, disse Tebet.

O exemplo dado por ela foi da proposta de correção do Benefício de Prestação Continuada (BPC): “A gente apresentava a lista de medidas para serem alteradas, muitas vezes técnicas, administrativas, de programas essenciais como o BPC, mas que estava crescendo muito acima da média. A pergunta dele Lula era o seguinte: ‘passa ou não no Congresso Nacional?’ Quando nós falávamos, se era possível, ele falava: ‘então toca o projeto'”.

Desafio

Ela disse ainda que aceitou ser ministra de Lula para mudar a cultura do País da falta de planejamento com o Orçamento. Com isso, adiantou que haverá neste ano o lançamento do primeiro planejamento de 25 anos do governo.

“Nós não conseguimos tirar do papel o projeto planejamento de longo prazo de 25 anos no Brasil. O Brasil nunca teve, provavelmente esse ano vai ser o primeiro, porque nós tivemos a autorização do presidente Lula para elaborar a estratégia de 2050 e está pronto”, completou Tebet.

PUBLICIDADE
Estadão

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.