Temor com guerra e piora no IPCA no Focus impedem alta do Ibovespa por commodities

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O clima defensivo nas bolsas do Ocidente reverbera sutilmente no Ibovespa nesta segunda-feira, 13. A falta de um acordo de paz entre Estados Unidos e Israel ameaça fechar o Estreito de Ormuz. Diante da possibilidade de fechamento dessa importante rota marítima, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, a commodity voltou a subir acima de US$ 100 por barril. O avanço estimula as ações ligadas ao setor de óleo, o que ajuda a limitar a queda do principal indicador da B3.

O Ibovespa opera em queda moderada nesta manhã, em sintonia com as bolsas norte-americanas. A incerteza com a guerra no Oriente Médio impõe cautela nos mercados. “Mais uma semana de tensão. O petróleo novamente opera acima dos US$ 100, e há mais incerteza sobre inflação, desequilíbrio de moedas e crescimento global prejudicado”, diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.

O avanço perto de 7% do petróleo estimula ações ligadas ao óleo, como Petrobras, suaviza um pouco a queda do Ibovespa, completa Bandeira.

Como reforça Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, conforme as cotações do petróleo avancem, papéis relacionados ao setor capturam parte desse movimento. “A nossa Bolsa tem peso muito grande de ações de empresas de petróleo e gás”, afirma.

A agenda pesada de indicadores no Brasil e no exterior desta semana se junta à temporada de balanços trimestrais nos EUA, com resultados de gigantes bancários, como o do Goldman Sachs, informado hoje. Entre as divulgações estão dados brasileiros de atividade e o Livro Bege norte-americano.

A incerteza em relação à duração da guerra no Oriente Médio somada à piora nas expectativas para a inflação brasileira no boletim Focus, divulgado hoje, reforça a cautela dos agentes neste início de pregão na B3. Apesar da alta de 1,26% do minério de ferro no fechamento hoje em Dalian, na China, as ações de siderúrgicas e mineradoras recuam, com exceção de Vale, que passou a subir há pouco (0,90%).

As bolsas europeias caem, enquanto os índices de Nova York miravam alta instantes após a abertura, de olho nas notícias sobre a guerra, após Estados Unidos e Irã fracassarem em selar um acordo de cessar-fogo no fim de semana. Neste cenário, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os portos iranianos serão bloqueados a partir das 11 horas de Brasília.

“Com o fracasso por ora das negociações e o novo avanço do petróleo, recrudescem os temores inflacionários mais agudos, que devem manter a condução cautelosa da política monetária pelos principais bancos centrais”, estima em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.

Nesta segunda-feira, no Brasil, a mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,36% para 4,71%. É a primeira vez que a estimativa para este ano estoura o teto da meta de inflação, de 4,50%. A projeção para o IPCA de 2027 avançou de 3,85% para 3,91%.

Já a estimativas para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,50%. Considerando só as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 12,50% para 12,75%.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,12%, nos inéditos 197.323,87 pontos, com ganho semanal de 4,93%.

Às 11h05 desta segunda-feira, o Índice Bovespa caía 0,37%, aos 196.567,17 pontos, após cair 0,56%, na mínima em 196.222,86 pontos, e abertura na máxima aos 197.323,87 pontos.

Petrobras tinha alta de cerca de 1,40% e Vale, de quase 1%. Já Usiminas cedia 2,77%, assim como papéis de bancos recuavam. Itaú Unibanco, por exemplo, cedia 1,63%. Já os juros futuros e o dólar ante o real avançavam.

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Estadão

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