Ucraniano é eliminado dos Jogos de Inverno por usar capacete em homenagem a mortos na guerra

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A Federação Internacional de Bobsled e Skeleton afirmou que sua decisão de usar o capacete era "incompatível com a Carta Olímpica e as Diretrizes sobre a Expressão dos Atletas". Foto: Reprodução/Pixabay

O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych, um dos favoritos a medalha nos Jogos de Milão-Cortina, foi impedido de competir nesta quinta-feira após recusar um pedido de última hora do Comitê Olímpico Internacional (COI) para não usar um capacete que homenageia mais de 20 atletas e treinadores mortos na guerra de seu país contra a Rússia. A decisão foi tomada cerca de 45 minutos antes do início da competição e encerrou uma saga de três dias, na qual Heraskevych sabia que corria o risco de ser retirado dos Jogos por usar o capacete, que, segundo o COI, viola as regras contra manifestações em campo.

A Federação Internacional de Bobsled e Skeleton afirmou que sua decisão de usar o capacete era “incompatível com a Carta Olímpica e as Diretrizes sobre a Expressão dos Atletas”. Ele usou a peça nos treinos, mas o COI pediu que o atleta utilizasse um capacete diferente nas competições. A federação ofereceu concessões, como o uso de uma braçadeira preta ou a permissão para que exibisse o capacete após sair do gelo. “Acredito profundamente que a IBSF e o COI entendem que não estou violando nenhuma regra”, disse Heraskevych. “Além disso, diria que é doloroso que isso pareça discriminação, pois muitos atletas já se manifestaram… Eles não enfrentaram as mesmas coisas. Então, de repente, apenas o atleta ucraniano nestas Olimpíadas será desclassificado por causa do capacete.”

A presidente do COI, Kirsty Coventry, que deveria estar em Cortina d’Ampezzo para assistir ao esqui alpino, foi ao centro de esportes de inverno para se encontrar com Heraskevych. “Não chegamos a um consenso sobre isso”, disse a dirigente esportiva sobre o assunto. Emocionada Coventry não conteve a emoção após a reunião. A campeã olímpica de natação deixou claro que desejava um resultado diferente, e o COI afirmou que a decisão foi tomada com pesar. “Como todos vocês viram nos últimos dias, permitimos que Vladyslav usasse seu capacete nos treinos”, disse Coventry. “Ninguém, ninguém – especialmente eu – discorda da mensagem. A mensagem é poderosa. É uma mensagem de lembrança. É uma mensagem de memória e ninguém discorda disso. O desafio que enfrentamos é que queríamos encontrar uma solução apenas para o campo de jogo.”

Heraskevych disse que apelaria para a Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas a prova continuou sem ele. As duas primeiras descidas foram na quinta-feira, as duas últimas na sexta. Independentemente do que o CAS decidir, sua chance de competir nestes Jogos acabou. O COI está permitindo que ele mantenha sua credencial, o que significa que ele pode permanecer nas Olimpíadas como atleta – mas não como competidor. A decisão gerou condenação imediata por parte de autoridades na Ucrânia. “O esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”, escreveu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, nas redes sociais. “Infelizmente, a decisão do Comitê Olímpico Internacional de desclassificar o atleta ucraniano de skeleton, Vladyslav Heraskevych, diz o contrário.”

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Estadão

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