UE: Costa cobra acordo orçamentário até fim do ano; von der Leyen prepara medidas contra China
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou nesta sexta-feira, 16, que a União Europeia (UE) precisa concluir até o fim de 2026 as negociações sobre seu próximo orçamento de longo prazo e disse haver “unidade total” entre os países do bloco em torno da estratégia comercial. Paralelamente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o Executivo comunitário trabalhará em novos instrumentos para enfrentar desequilíbrios no comércio com a China.
Em entrevista coletiva após a reunião de líderes europeus, Costa avaliou que houve avanços nas tratativas orçamentárias, mas destacou a necessidade de manter as contribuições nacionais em níveis razoáveis sem comprometer as prioridades comuns. Para isso, defendeu a criação de novas fontes de receitas próprias da UE e disse que acelerará as negociações com a Comissão e os Estados-membros.
Na frente comercial, Costa afirmou que os 27 Estados-membros concordam em acelerar a diversificação de parceiros, manter o diálogo com resultados concretos e fortalecer os instrumentos de defesa comercial do bloco. Von der Leyen disse que o déficit da UE com a China chegou a 1 bilhão de euros por dia em 2025 e deve ser ainda maior neste ano, o que classificou como “insustentável”.
A dirigente citou avanços em consultas com Pequim, como o compromisso chinês de moderar exportações de veículos híbridos e maior previsibilidade nas restrições à exportação de terras raras. Ressaltou, contudo, que isso não resolve o problema estrutural. Em dezembro, a Comissão apresentará o programa DiversifyEU, voltado a reduzir dependências de fornecedores únicos. Também pretende propor um mecanismo de solidariedade contra coerção comercial e desenvolver uma ferramenta para restringir rapidamente o acesso ao mercado único quando for do interesse europeu.
Sobre a guerra na Ucrânia, Costa advertiu que as ações da Rússia apontam para uma “escalada”, não para a paz, e defendeu ampliar a pressão sobre Moscou. Também solicitou à Comissão uma proposta para cobrir necessidades adicionais de financiamento de Kiev em 2027, em meio a denúncias de sabotagem e violações do espaço aéreo de países europeus.