UFPE tem 3° incêndio em uma semana; veja o que se sabe e o que falta esclarecer
Um incêndio de grandes proporções atingiu um edifício da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na zona oeste do Recife, na noite de quarta-feira, 8. Esse é o terceiro incêndio registrado nas dependências da instituição em apenas uma semana.
Atualmente, o prédio abrigava laboratórios na área de fármacos, de informática e de genética.
O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco informou que foi acionado para combater um incêndio em um edifício na Cidade Universitária. O fogo teria começado por volta das 20h.
Ao todo, oito viaturas participaram do combate às chamas. A corporação finalizou o rescaldo e os procedimentos de segurança necessários no início da manhã desta quinta-feira, 8. Não houve registro de vítimas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as causas do incêndio serão determinadas por meio de perícia técnica.
O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). De acordo com a UFPE, atualmente, o local abrigava vários laboratórios na área de fármacos, de informática e de genética.
Nas últimas horas, em razão do incêndio, as buscas pelo termo “ufpe incêndio universidade federal” começaram a ganhar relevância no Google Trends.
O que diz a UFPE?
Em nota, a UFPE lamentou “profundamente o ocorrido, especialmente em relação às pesquisas afetadas”. O reitor da instituição, Alfredo Gomes, esteve no local e acompanhou o trabalho do Corpo de Bombeiros.
A universidade afirmou que, em função do tipo de produtos armazenados no prédio, o fogo se alastrou rapidamente e provocou grandes danos na estrutura.
“A UFPE presta solidariedade a todos os pesquisadores, docentes e estudantes que trabalhavam no local”, disse.
Em um vídeo publicado no Instagram, Gomes afirmou que a Expo UFPE 2026 – feira de profissões voltada a alunos do ensino médio -, que estava prevista para esta quinta-feira, ocorrerá normalmente, das 8h às 17h.
“O incêndio aconteceu em um prédio que fica relativamente isolado da área central onde ocorrerá o evento. O prédio está isolado, com atuação, portanto, da nossa Superintendência de Infraestrutura e de outras pessoas que cuidarão do seu isolamento”, disse o reitor.
O que diz o MEC?
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que recebeu com tristeza a notícia do incêndio.
“Estamos em contato com a reitoria da UFPE e acompanhamos as investigações para apurar as causas do incêndio”, escreveu Barchini em uma publicação no X. O ministro também disse que o Ministério da Educação está à disposição para prestar todo o apoio necessário.
Qual o valor estimado do prejuízo?
A UFPE afirmou que ainda vai avaliar a situação e os danos causados. No entanto, o reitor da universidade estimou o prejuízo em aproximadamente R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais de maneira geral.
“Nós estimamos que funcionavam ali vários grupos de pesquisa, algo em torno de 80 dissertações e teses de doutorado. É uma perda irreparável, porque dados de 20 anos de pesquisa eram também guardados nos espaços”, disse Gomes em conversa com jornalistas.
Em relação ao prédio, o reitor afirmou que a infraestrutura ainda será avaliada, já que o andar superior foi completamente destruído. Ele acredita que será necessário ter outro edifício para o funcionamento dos laboratórios e acomodação das pesquisas.
Ainda segundo Gomes, a reitoria terá uma reunião com as equipes que coordenavam os projetos desenvolvidos no local para apurar o prejuízo com mais precisão.
Investigações
O reitor afirmou que a universidade acionou a Polícia Federal (PF), por meio da Superintendência Regional em Pernambuco, seguindo o procedimento habitual. Procurada, a PF não retornou à tentativa de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
“Não temos nenhuma ideia específica da causa, então precisamos ouvir a perícia, os trabalhos da perícia, para chegarmos a uma conclusão”, disse Gomes.
Ele também afirmou que a reitoria terá uma reunião nesta quinta-feira com o comandante do Corpo de Bombeiros. As instâncias internas da instituição também realizaram uma investigação.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou ter determinado que a Procuradoria-Geral Federal (PGF) designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e adotar, se necessário, as providências legais cabíveis.
“Expresso minha total solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE, minha alma mater, e espero que o ocorrido seja objeto de uma investigação rigorosa”, escreveu Messias em uma publicação no X.
Nas redes sociais, estudantes relataram ter recebido mensagens com ameaças contra departamentos da UFPE horas antes do incêndio. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade afirmou que solicitou à reitoria esclarecimentos sobre o ocorrido, suas causas, os danos e as condições de segurança, além da apuração dos demais incêndios registrados recentemente na instituição.
Como foram os outros incêndios?
Outros dois incêndios, de proporções menores, já haviam sido registrados na UFPE na última semana.
O primeiro ocorreu na última quarta-feira, 30, em um laboratório do Departamento de Física. O fogo teria sido provocado em uma câmara de alta temperatura usada para aquecimento de substâncias.
O segundo ocorreu no domingo, 4, quando chamas foram registradas no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Em nenhum dos dois casos houve vítimas.