Universidades particulares proíbem atos políticos pró-Lula e pró-Flávio Bolsonaro por segurança

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O acirramento do clima político no País e a aproximação do segundo turno das eleições levaram duas das mais tradicionais instituições privadas de ensino superior do Brasil a vedar a realização de eventos de caráter político-partidário dentro de seus campus.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) emitiram comunicados oficiais proibindo manifestações e atos políticos organizados por grupos de estudantes favoráveis às candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

A justificativa das reitorias foi a necessidade de preservar a segurança, a integridade física e o bem-estar das comunidades acadêmicas diante de convocações feitas pelas redes sociais sem autorização prévia.

Na PUC-Rio, a decisão de cancelar todos os eventos político-partidários nas dependências do campus até o fim do período eleitoral foi divulgada nesta segunda-feira, 12, em nota assinada pelo vice-reitor Renato Callado. A medida ocorreu na véspera de duas mobilizações, uma pró-Lula e a outra pró-Bolsonaro, marcadas para esta terça-feira no mesmo local.

De um lado, o grupo “A PUC também é nossa”, formado por estudantes simpatizantes de Flávio Bolsonaro, previa uma manifestação “contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e os gastos públicos”, além da entrega de um documento à vice-reitoria solicitando maior pluralidade no ambiente universitário. Do outro, o coletivo “PUC-Rio Antifascista” organizava um encontro em apoio à candidatura à reeleição de Lula.

Bolsonaristas debocham da morte de Marielle Franco

Após o comunicado, os grupos mantiveram os atos fora da universidade. Os grupos trocaram ofensas na manhã de terça-feira, 13. Em um dos momentos da manifestação, um dos integrantes bolsonaristas debochou da morte da vereadora Mariella Franco, assassinada em 2018. Ela é uma ex-aluna da PUC-Rio.

“Marielle tá no céu, com papai do céu. Ou não, né? Ou tá no colo do capeta”, afirmou o influencer Breno Faria.

Ele foi candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro, recebeu 27.088 votos e não foi eleito. Ele não se pronunciou.

Nas redes sociais, a filha de Marielle, Luyara Franco, publicou um vídeo defendendo a mãe.

“Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política (…) Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”, afirmou Luyara.

Em comunicado, a reitoria da PUC-Rio reafirma o “dever institucional de zelar pela segurança e pela integridade física e moral de estudantes, professores, funcionários e demais integrantes da comunidade universitária”.

Dias antes, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, em comunicado assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos, vetou qualquer atividade partidária no campus de Higienópolis.

A instituição tomou a medida após a convocação do grupo “Mackenzie com Lula”, que pretendia realizar uma assembleia de apoio ao candidato do PT nas imediações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

A direção do Mackenzie argumenta que recebeu manifestações de preocupação por parte de integrantes da comunidade acadêmica e apontou a ausência de autorização prévia para o encontro, optando pela proibição de qualquer ato partidário para garantir a segurança no local.

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Estadão

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