Veja o que se sabe até agora sobre mortes do Cão Orelha e de outros pets pelo País

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Ataques a cães nos Estados do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo geraram indignação nos últimos dias. Entre esses casos está o do cão Orelha, morto após ser agredido no Estado catarinense.

Na terça-feira, 3, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu inquérito e pediu internação de um adolescente. Manifestações também ocorreram no fim de semana em quase todas as capitais do País para cobrar justiça e a responsabilização pela morte do pet.

Cão Orelha

O cão comunitário Orelha, de 10 anos de idade, foi encontrado agonizando após ser agredido e precisou sofrer eutanásia devido à gravidade das lesões.

Segundo as investigações, Orelha não morreu após agressões cometidas por um grupo, como divulgado inicialmente. A apuração apontou que a morte do animal foi causada por um único adolescente, que chegou a viajar para os Estados Unidos em uma excursão escolar após o crime e retornou antecipadamente ao Brasil a pedido dos investigadores.

Com a conclusão da investigação, a Polícia Civil do Estado solicitou a internação do agressor e indiciou outros três adultos pelo crime de coação a testemunhas. Os envolvidos não foram identificados. “Em razão da gravidade do caso Orelha, a Polícia pediu a internação do adolescente, medida equivalente à prisão de um adulto”, informou a corporação.

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem, afirmaram que as informações divulgadas dizem respeito a “elementos circunstanciais”, que não podem ser considerados prova nem “autorizam conclusões definitivas”. A defesa declarou ainda que, até o momento, não teve acesso integral aos autos da investigação e que o caso está “politizado”.

No domingo, 1º, a polícia já havia descartado a participação de um dos quatro adolescentes na morte do cão. Ficou constatado na investigação que o jovem não estava na Praia Brava, em Florianópolis, em Santa Catarina, no momento do crime. De acordo com a Polícia Civil, a família do adolescente apresentou provas de que ele não estava na local, versão corroborada por imagens. O dia também foi marcado por manifestações em todo o País pela morte do pet Orelha.

Conforme mostrou o Estadão, por se tratar de adolescente, menor de idade, o suspeito não está sujeito a penas criminais, como prisão. O ato é interpretado como ato infracional que pode ser punido com medidas socioeducativas, mas também com a internação nos casos mais graves.

Agressões contra o cão Caramelo em SC

As investigações também apuraram as agressões ao cão Caramelo, outro cachorro comunitário que vivia na Praia Brava. Conforme a Polícia Civil, o animal sofreu uma tentativa de agressão dias após a morte de Orelha. Câmeras de monitoramento chegaram a gravar as agressões.

Os ataques foram praticados por um grupo de quatro adolescentes. Diferente do que havia sido informado, eles não têm envolvimento com o caso Orelha. Caramelo sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

Concluídos, os inquéritos dos casos Orelha e Caramelo foram encaminhados para análise do Ministério Público e do Judiciário. A polícia também entrou com uma representação no MP de Santa Catarina contra os envolvidos no caso Caramelo.

Cão Abacate

A morte de Abacate ocorreu na mesma semana em que o caso do cão comunitário Orelha ganhou repercussão. O pet morreu no dia 27 de janeiro, após ser baleado em Toledo, no oeste do Paraná. A coordenadora de Proteção e Defesa Animal do município, Cinthia Moura, afirmou em publicação no Instagram que o caso foi encaminhado à Polícia Civil do Paraná.

Procurada, a Polícia Civil do Paraná disse que está trabalhando para tentar descobrir quem é o responsável pelo crime.

Abacate era cuidado por moradores do bairro Tocantins. Segundo Cinthia, pessoas da comunidade encontraram o cão ferido na manhã do dia 27 e o levaram a um hospital veterinário particular, onde ele passou por uma cirurgia de emergência. A bala perfurou o intestino de Abacate, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

Cão Negão

Um cão sem raça definida, popularmente conhecido como “Negão”, foi baleado por um policial militar também na noite do dia 27, no bairro Barrinha, em Campo Bom, no Vale dos Sinos (RS), distante a cerca de 55 km de Porto Alegre.

O episódio foi captado por câmeras de segurança. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul afirmou que determinou que a Corregedoria da Brigada Militar investigue a conduta dos policiais e as circunstâncias do disparo contra o cão em Campo Bom.

De acordo com relatos colhidos pela vereadora Kayanne Braga (PDT), que atua na causa do bem-estar animal, a confusão teve início por volta das 20h30, quando a Brigada Militar realizava uma abordagem em três indivíduos, em via pública. Um dos policiais teria pisado acidentalmente na pata do animal e, após o cão latir, o agente policial efetuou o disparo.

São Paulo: cachorro comunitário morto a tiros

Um cachorro comunitário foi morto com dez tiros na zona leste de São Paulo. O caso ocorreu no dia 18 de janeiro deste ano, mas ganhou repercussão após imagens de uma câmera de segurança registrar o momento em que um homem atira contra o animal no bairro Jardim Três Marias.

A Polícia Civil tenta identificar o homem que atirou no animal. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, a delegacia “realiza todas as diligências necessárias para esclarecer as circunstâncias do caso”.

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Estadão

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