Zelensky acusa Rússia de ataques, pede ajuda dos EUA e critica possível entendimento UE-Moscou
A poucos dias das negociações trilaterais entre Moscou, Kiev e Washington, previstas para 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de intensificar ataques à infraestrutura crítica do país, ao mesmo tempo em que se diz disposta ao diálogo.
Em publicação nas redes sociais, Zelensky afirmou que a Rússia lançou 36 mísseis balísticos e 172 drones, “com todos os mísseis direcionados a Kiev e à região circundante”. Segundo ele, a infraestrutura de energia voltou a ser o principal alvo, o que teria provocado dificuldades no abastecimento de eletricidade, água e aquecimento na capital.
O presidente também relatou danos a prédios residenciais, à Ponte Norte, em Kiev, e a uma creche, além do ataque a uma subestação que conecta as Usinas Nucleares de Rivne e Khmelnytskyi a Kiev e às regiões centrais do país. Ele disse que, além da capital, outras 12 regiões foram atacadas e que nove pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança.
Zelensky pediu reforço do apoio dos Estados Unidos e cobrou atenção do Congresso norte-americano. “Estamos contando com ambos os partidos para se unirem em questões de segurança, apoio à Ucrânia, condenação da agressão russa e aumento da pressão de sanções sobre Putin”, escreveu. “A determinação e a consistência da América em apoiar a Ucrânia são cruciais para aproximar a paz”, resumiu.
Em entrevista à CNN, o ucraniano também rejeitou a abertura de um debate sobre uma nova arquitetura de segurança entre Europa e Rússia antes do fim da guerra. “a ideia de discutir uma infraestrutura de segurança entre a Rússia e a Europa não é simples, e pode ser perigosa”, disse. Zelensky afirmou temer uma reedição de uma divisão do continente: “não queremos ser divididos pela Rússia.”
O presidente defendeu que Washington mantenha uma postura dura. “Putin respeita apenas posições fortes”, afirmou, ao dizer que a guerra já está no quinto ano.