Estratégia e Espiritualidade: Conheça os jogos de tabuleiro que fascinavam o mundo antigo

Milênios antes dos consoles e do xadrez moderno, civilizações antigas já utilizavam jogos de tabuleiro como simuladores de guerra, rituais religiosos e ferramentas de convívio social. Do Egito à Mesopotâmia, o Senet e o Jogo Real de Ur mostram como o entretenimento era indissociável da cultura e da crença na vida após a morte, deixando um legado que ainda pode ser jogado hoje

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Reprodução: Marie Sjödin por Pixabay

Muito além de passatempos, os jogos de tabuleiro na Antiguidade eram reflexos das sociedades que os criaram. Eles serviam para treinar táticas militares, ensinar lições morais e até simular a jornada da alma para o além. Graças à arqueologia e ao trabalho de tradução de textos antigos, hoje conhecemos as regras e os significados por trás dessas competições milenares.

Senet: A Corrida para a Vida Eterna

Surgido no Egito Antigo por volta de 3100 a.C., o Senet é um dos jogos mais antigos documentados. Com 30 casas dispostas em três fileiras, o objetivo era levar as peças (tokens) até o fim do percurso. Mais do que sorte, o jogo ganhou uma conotação espiritual profunda: acreditava-se que vencer no Senet simbolizava a superação das provações da alma para alcançar o descanso eterno ao lado dos deuses.

O Jogo Real de Ur: A Ponte da Mesopotâmia

Descoberto na década de 1920 na atual região do Iraque, o Jogo Real de Ur tem cerca de 4.500 anos. Com tabuleiros luxuosos decorados com madrepérola e lápis-lazúli, ele misturava estratégia e azar. Diferente de outros jogos perdidos, as regras do Jogo Real de Ur foram preservadas em tabuletas cuneiformes, permitindo que ele seja jogado fielmente até os dias atuais.

Estratégia e Guerra em Outras Culturas

A diversidade de mecânicas no mundo antigo era impressionante:

  • Chaturanga (Índia): O avô do xadrez, que já representava as quatro divisões do exército indiano (infantaria, cavalaria, elefantes e carros).

  • Hnefatafl (Escandinávia): Um jogo assimétrico onde um rei cercado de defensores deveria escapar de uma horda de atacantes vikings.

  • Patolli (Mesoamérica): Um jogo asteca de percurso onde as apostas eram levadas ao extremo, envolvendo bens e até o destino pessoal dos jogadores.

  • Ludus Latrunculorum (Roma): Focado puramente em tática militar, onde o objetivo era cercar e capturar as peças do oponente.

O Legado nos Dias Atuais

A sobrevivência desses jogos, como o Nine Men’s Morris (praticado desde 1400 a.C. e citado por Shakespeare), demonstra que o desejo humano por competição e raciocínio lógico é universal. Seja em tabuleiros esculpidos na pedra ou em versões digitais modernas, essas antigas formas de lazer continuam a conectar gerações através dos séculos.

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