Estudantes da UEL se manifestam em defesa da democracia nesta quinta-feira
Alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e jovens de diversas regiões da cidade se uniram ontem para se posicionar a favor da democracia, ensino público e a diversidade; movimento foi motivado pelo resultado do primeiro turno nas urnas

Estudantes da Universidade Estadual de Londrina promoveram, na noite desta quinta-feira (8), um ato “em defesa da democracia”. De acordo com os organizadores, o objetivo era se manifestar em prol do ensino público e da diversidade. A mobilização teve motivação política após os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
O ato aconteceu por volta das 18h e mobilizou, segundo os organizadores, cerca de 3 mil estudantes, provenientes de diversos centros da própria universidade, além de jovens de toda a cidade e região.
A manifestação contou com a presença de diversos grupos sociais, tanto apoiadores do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, quanto manifestantes que se opõem à candidatura do atual senador Flávio Bolsonaro, do PL.
Centenas de participantes se reuniram nas proximidades do Restaurante Universitário da UEL e debateram sobre a situação política envolvendo Flávio, sobretudo o legado deixado por seu pai no país e na juventude durante o período em que ocupou a Presidência, além da situação política do Brasil como um todo.
UEL com Lula x UEL com Bolsonaro

Foto: Reprodução
Momentos que antecederam o ato político acenderam um alerta não apenas entre os estudantes apoiadores de Lula, mas também entre pessoas que estivessem no RU no momento da manifestação.
Assim que os resultados das eleições foram anunciados, alunos da Universidade Estadual de Londrina passaram a se dividir em grupos que manifestavam suas posições políticas. No entanto, dois grupos de WhatsApp tomaram grandes proporções no meio universitário da região.
O contexto de polarização política na universidade começou a gerar maior preocupação quando uma captura de tela do grupo “Nós da UEL com Flávio Bolsonaro” vazou na comunidade universitária. No print, aparecia a frase: “aqui é só fascista antipetista”.
A afirmação repercutiu e chegou à Ouvidoria da UEL, já que também constava nas mensagens uma suposta organização para o “lançamento de bombas nos petistas”.
No momento da manifestação, equipes da Polícia Civil estavam presentes de maneira preventiva.
A Polícia Militar informou à reportagem que não havia recebido denúncia sobre a suposta ameaça até aquele momento. A UEL ressaltou que analisa o caso e que adotou medidas para garantir a segurança dos presentes no ato. A Polícia Civil esteve no local e informou à reportagem que a presença ocorreu a pedido do MPPR (Ministério Público do Paraná), para garantir a segurança.
Pontos debatidos

Comunidade indígena marca presença em manifestação / Foto: Rafael Guerra
Em âmbito geral, a manifestação levantou diversas pautas sociais que, de acordo com os participantes, estariam em risco caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno das eleições.
Brenda Adriele, de 28 anos, estudante de Serviço Social, afirmou que participa da mobilização em defesa da universidade pública, da soberania nacional e da manutenção de direitos. Segundo ela, essas conquistas são resultado de anos de luta e não podem ser perdidas.
Maria Clara Félix, de 18 anos, aluna do curso de Letras da UEL, destacou que o ato também tem o objetivo de dialogar com pessoas que ainda não compreendem a gravidade do momento político vivido no país. Ela citou pautas como o direito das mulheres ao voto, os direitos da população negra e da comunidade LGBTQIAPN+.
Mobilizações em universidades
As manifestações têm ganhado força em instituições de ensino superior pelo país. Na quarta-feira (7), foram registrados atos na UFRGS, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul; na UFBA, Universidade Federal da Bahia; e na UFPA, Universidade Federal do Pará.
No Rio de Janeiro, milhares de estudantes participaram de uma caminhada com pautas ligadas à defesa da educação pública e da democracia.
No Paraná, também houve mobilizações em instituições como a UTFPR, em Curitiba; a Unicentro; a UFPR; a UEM; a Uenp; entre outras universidades.
Isenção apartidária
De acordo com um dos manifestantes que participou da organização, apesar da presença de diversas bandeiras e simbologias ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), o ato não foi organizado por uma legenda.
“Não foi um partido, foram os estudantes da UEL que saíram na frente em defesa da democracia. O nosso ato não é do PT, não é do Lula, é em favor da democracia”, afirmou.
“É o primeiro grande ato em defesa da democracia na UEL”, completou.
Texto: Rafael Guerra sob a supervisão dos jornalistas da Paiquerê FM 98.9