Estudo aponta 69 municípios do Paraná aptos ao cultivo de oliveiras
Boletim técnico do IDR-Paraná identifica regiões com menor risco climático para produção de azeitonas e azeites

Um estudo publicado pelo IDR-Paraná identificou 69 municípios da região Sul do Estado como aptos ao cultivo de oliveiras. A informação faz parte do boletim técnico “Riscos climáticos para a olivicultura no Estado do Paraná”, desenvolvido para orientar produtores rurais sobre áreas mais adequadas ao plantio e reduzir os riscos climáticos da atividade. A publicação busca preencher uma das principais lacunas da cadeia produtiva: a falta de informações regionalizadas sobre o cultivo da oliveira no Paraná. O material apresenta orientações técnicas para implantação de pomares, escolha de cultivares adaptadas ao clima local e planejamento de investimentos no setor.
Os municípios considerados mais favoráveis estão localizados principalmente nas regiões dos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Paraná. Entre eles aparecem Guarapuava, Palmas, Campo Largo, Pato Branco, Prudentópolis, Rio Negro e União da Vitória.
Segundo os pesquisadores, o principal diferencial dessas áreas é a combinação entre altitude elevada e maior disponibilidade de horas de frio durante o outono e o inverno, condição essencial para o desenvolvimento adequado das oliveiras e para uma boa floração ds plantas. “A oliveira necessita de um período de frio para entrar em dormência e estimular a brotação e a formação das flores. Sem esse processo, a produção pode ficar comprometida”, explica a engenheira-agrônoma e extensionista do IDR-Paraná, Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, uma das autoras do boletim. “O sucesso da olivicultura depende da associação entre a cultivar e as condições climáticas. O produtor precisa conhecer os riscos antes de investir”, acrescenta.
O levantamento utilizou mais de 30 anos de dados meteorológicos do IDR-Paraná, do Simepar e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Foram avaliados fatores como horas de frio acumuladas, risco de geadas, excesso de chuvas durante o florescimento, estiagem na maturação dos frutos e níveis de umidade relativa do ar. O estudo também aponta que as cultivares de menor exigência em frio apresentam os melhores resultados comerciais no Paraná, com destaque para Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.
Para a diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, o trabalho representa um avanço importante para o fortalecimento da olivicultura no Estado. “Estamos entregando ao setor produtivo uma ferramenta capaz de reduzir incertezas e qualificar a tomada de decisão. Esse tipo de conhecimento é fundamental para estimular uma atividade com grande potencial de agregação de valor à agricultura paranaense”, afirmou.
O boletim também alerta para cuidados específicos dentro das propriedades rurais, como evitar áreas baixas sujeitas ao acúmulo de ar frio e umidade excessiva, fatores que podem aumentar os riscos de geadas e doenças nas plantas. Além disso, recomenda a intercalação de cultivares para garantir melhor polinização cruzada e maior produtividade dos pomares.
Apesar dos desafios do clima subtropical, a produção de oliveiras vem crescendo nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, com azeites nacionais ganhando reconhecimento em concursos internacionais. No Paraná, o potencial produtivo está diretamente ligado às regiões com maior acúmulo de horas de frio durante o inverno. O boletim técnico “Riscos climáticos para a olivicultura no Estado do Paraná” pode ser acessado gratuitamente no portal do IDR-Paraná.

