Estudo aponta potencial de redução de até 92,6% nas emissões da pecuária brasileira
Pesquisa da FGV Agro e da ABIEC foi apresentada na FAO e destaca ganhos de produtividade, uso menor de pastagens e tecnologias para uma produção mais sustentável

Em meio ao Mês do Meio Ambiente, um estudo da FGV Agro, realizado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, aponta caminhos para reduzir a intensidade das emissões na pecuária brasileira nas próximas décadas.
A pesquisa foi apresentada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a FAO, em um momento em que o setor agropecuário é cada vez mais cobrado a ampliar a produção de alimentos sem aumentar os impactos ambientais.
Segundo o levantamento, a adoção de tecnologias, melhorias no manejo de pastagens, avanços em nutrição animal e ganhos genéticos podem contribuir para uma redução expressiva da intensidade de emissões da pecuária de corte até 2050.
Durante a apresentação, o estudo foi tratado como uma resposta baseada em ciência e tecnologia tropical, com o objetivo de mostrar que o Brasil pode ampliar sua participação na oferta global de carne bovina com menor impacto ambiental.
Um dos pontos destacados é o chamado “efeito poupa-terra”, que representa o ganho de eficiência produtiva da pecuária brasileira. Entre 2004 e 2024, a produção de carne bovina no país cresceu mais de 240%, enquanto a área total de pastagens caiu cerca de 11%, passando de aproximadamente 181 milhões de hectares para 160 milhões de hectares.
Esse avanço indica que o Brasil conseguiu produzir mais utilizando menos área. De acordo com o estudo, se os níveis de produtividade de 1990 tivessem sido mantidos, seriam necessários cerca de 397 milhões de hectares adicionais para alcançar a produção atual.
No cenário projetado mais avançado, o país poderia estabilizar a produção em cerca de 18,2 milhões de toneladas de carcaça em 2050, mesmo com redução adicional de até 35% na área de pastagens.
A pesquisa também aponta queda na intensidade de emissões por animal ao longo do tempo. Apesar do aumento do rebanho e da produção total, houve redução aproximada de 8% nas emissões por cabeça, resultado de práticas mais eficientes no campo.
O diretor de Produção e Sanidade Animal e diretor-geral assistente da FAO, Thanawat Tiensin, destacou a importância da cooperação internacional para transformar a pecuária sustentável. Segundo ele, governos, produtores, setor privado, academia e instituições de pesquisa precisam atuar de forma conjunta, respeitando a realidade de cada país dentro da Agenda 2030.
No contexto do Mês do Meio Ambiente, o debate reforça a importância de conciliar produção de alimentos, redução de emissões e preservação dos recursos naturais. Especialistas avaliam que a transição para modelos mais sustentáveis depende de investimento em inovação, recuperação de pastagens degradadas, rastreabilidade, eficiência produtiva e políticas públicas voltadas à conservação ambiental.
A discussão também ganha relevância diante dos efeitos das mudanças climáticas, que já impactam a produção agropecuária em diferentes regiões do mundo. Para o setor, o desafio é aumentar a eficiência sem ampliar a pressão sobre florestas, solo e recursos hídricos.
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