Estudo revela circuito cerebral comum ativado durante a criatividade
Uma pesquisa baseada em exames cerebrais de 857 pessoas identificou regiões do cérebro que formam um circuito comum ligado à criatividade. O estudo também sugere que certas lesões cerebrais podem, em alguns casos, estimular comportamentos criativos

Cientistas descobriram que diferentes áreas do cérebro trabalham juntas em um circuito específico associado à criatividade. A descoberta surgiu a partir de uma análise de imagens cerebrais obtidas por ressonância magnética em 857 pessoas.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica JAMA Network Open.
Como a criatividade aparece no cérebro
Os investigadores analisaram exames de ressonância magnética para identificar quais regiões cerebrais eram ativadas durante atividades criativas, como desenhar, escrever e tocar música.
A equipe também comparou esses dados com exames de pacientes que apresentavam alterações na criatividade após lesões cerebrais ou doenças neurodegenerativas.
Um circuito cerebral da criatividade
Segundo o pesquisador Julian Kutsche, coautor do estudo, os resultados mostram que diversas regiões cerebrais envolvidas em tarefas criativas estão conectadas entre si e formam um circuito funcional comum.
Curiosamente, essas áreas apresentam uma relação negativa com o lobo frontal direito, uma região ligada ao controle de comportamento, tomada de decisões e cumprimento de regras.
Quando menos controle pode gerar mais criatividade
De acordo com os cientistas, a redução da atividade no lobo frontal direito pode facilitar a criatividade.
Isso ocorre porque essa parte do cérebro atua como uma espécie de “filtro” que controla impulsos e regula comportamentos baseados em regras.
Quando essa atividade diminui, pode haver menos autocensura mental, permitindo que o cérebro faça associações livres e gere novas ideias com mais facilidade.
Criatividade e doenças neurológicas
Outro aspecto interessante observado no estudo é que algumas pessoas com doenças neurológicas ou degenerativas podem desenvolver comportamentos criativos inesperados.
Em certos casos, danos específicos no cérebro parecem alinhar-se com o circuito da criatividade identificado pelos pesquisadores.
Um processo complexo
Apesar das descobertas, os cientistas ressaltam que a criatividade não depende de uma única região cerebral.
Diferentes tarefas criativas — como compor música, escrever ou pintar — ativam áreas distintas do cérebro, mostrando que a criatividade é resultado de uma rede complexa de processos neurais.
Para os pesquisadores, entender como esse circuito funciona pode ajudar a compreender melhor tanto a criatividade humana quanto os efeitos de doenças neurológicas sobre o pensamento e a imaginação.

