Ex-guarda do Louvre e influenciador digital é apontado como suspeito-chave em roubo milionário
A polícia francesa identificou Abdoulaye N., ex-segurança do Louvre e figura popular nas redes sociais, como principal suspeito do assalto de 88 milhões de euros ocorrido em outubro de 2025. A operação durou menos de oito minutos e expôs falhas graves de segurança no museu

As autoridades francesas avançaram nas investigações sobre o ousado roubo ao Museu do Louvre e apontaram como principal suspeito Abdoulaye N., 39 anos, ex-guarda da instituição e influenciador conhecido online como “Doudou Cross Bitume”. Ele ficou famoso publicando vídeos de acrobacias em motos, treinos físicos e manobras urbanas que atraíram milhares de seguidores — e agora se tornou peça central em um dos assaltos mais impactantes já registrados em museus europeus.
O crime ocorreu na manhã de 19 de outubro de 2025. Quatro homens mascarados, com coletes de alta visibilidade, usaram um caminhão de mudança equipado com uma escada extensível para alcançar o primeiro andar da Galerie d’Apollon, onde fica a coleção de regalia imperial francesa. Em menos de oito minutos, quebraram vitrines reforçadas, recolheram joias avaliadas em cerca de 88 milhões de euros — incluindo peças ligadas a Napoleão III — e fugiram em motocicletas.
Mais de cem investigadores foram mobilizados. Evidências como DNA, impressões digitais e objetos deixados no local ajudaram na prisão de quatro suspeitos, incluindo um homem de 37 anos e uma mulher de 38 anos acusados de roubo em grupo e conspiração criminal. Apesar do avanço, grande parte das joias não foi recuperada, e autoridades admitem que elas podem ter sido desmontadas ou contrabandeadas para fora da França.
O caso reacendeu críticas à segurança do museu. A ministra da Cultura, Rachida Dati, afirmou que o Louvre sofre há mais de duas décadas com “subestimação crônica” de riscos de intrusão. A diretora Laurence des Cars admitiu que a câmera instalada acima da Galeria da Apolo não filmava o balcão usado pelos criminosos, revelando lacunas estruturais na vigilância.
Enquanto o presidente Emmanuel Macron classificou o roubo como “um ataque ao nosso patrimônio histórico”, ainda restam pontos sem resposta: quem idealizou o plano, qual foi o papel exato de Abdoulaye N. e para onde as joias foram levadas. A investigação segue em andamento — e o caso já figura entre os maiores roubos culturais da história recente.

