Filipe Barros e Deltan Dallagnol são eleitos senadores pelo Paraná
Candidatos ficaram com as duas vagas em disputa no estado; situação jurídica de Dallagnol ainda será analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral

Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos senadores pelo Paraná neste domingo (4), no primeiro turno das eleições. Eles ocuparão as vagas atualmente exercidas por Flávio Arns e Oriovisto Guimarães.
Com 99,07% das urnas apuradas até as 19h30, Barros havia recebido mais de 3,1 milhões de votos, o equivalente a 27,3% dos votos válidos. Dallagnol somava mais de 2,8 milhões, ou 25,1%.
Natural de Londrina, Filipe Barros tem 35 anos e é formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi vereador de Londrina, eleito em 2016.
Barros foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022. Ao longo da trajetória política, passou por diferentes partidos e atualmente preside o diretório estadual do PL no Paraná.
Deltan Dallagnol, de 46 anos, é natural de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, e também é formado em Direito. Ele atuou como procurador da República e ficou conhecido nacionalmente por coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.
Em 2022, Dallagnol foi eleito deputado federal pelo Paraná com mais de 340 mil votos. No ano seguinte, porém, o Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro de sua candidatura, decisão que levou à perda do mandato.
A situação jurídica de Dallagnol também esteve no centro da disputa eleitoral deste ano. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná havia autorizado sua candidatura por quatro votos a três, mas a decisão foi questionada no TSE.
No sábado (3), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, havia indeferido individualmente o registro da candidatura. No domingo, entretanto, o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu essa decisão e manteve temporariamente a candidatura.
Com a decisão, os votos recebidos por Dallagnol foram processados e o registro passou a constar como “deferido com recurso”. A questão, porém, ainda será analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
A decisão provisória não representa uma definição final sobre a situação eleitoral de Dallagnol. A validade dos votos e a confirmação definitiva da eleição dependem do julgamento do processo pelo TSE.
O caso está relacionado à decisão tomada pelo próprio tribunal em 2023, quando o registro da candidatura de Dallagnol à Câmara dos Deputados foi cassado. Na ocasião, os ministros entenderam que a saída dele do Ministério Público Federal, antes das eleições de 2022, estava relacionada a procedimentos disciplinares em andamento.
Em 2026, a discussão voltou à Justiça Eleitoral porque Dallagnol busca uma nova candidatura, desta vez ao Senado. Enquanto o processo tramita, as decisões judiciais podem alterar a situação do registro e, consequentemente, a validade dos votos obtidos.
Caso o TSE considere Dallagnol inelegível, a situação da vaga dependerá da decisão definitiva da Justiça Eleitoral. Segundo as informações divulgadas no processo, nesse cenário não haveria posse automática dos suplentes, podendo ser necessária uma nova eleição para preencher a cadeira.
Filipe Barros e Deltan Dallagnol foram, portanto, os dois candidatos mais votados para as duas vagas destinadas ao Paraná no Senado neste primeiro turno, mas a situação de Dallagnol permanece condicionada ao julgamento definitivo do Tribunal Superior Eleitoral.