Gaeco cumpre 19 mandados em oito cidades do Paraná na terceira fase da Operação Rota 466
Investigação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção, concussão, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro envolvendo policiais militares

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou nesta quinta-feira (8) a terceira fase da Operação Rota 466. A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em oito municípios: Guarapuava, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Pitanga, Bituruna, Castro, Palmeira e Wenceslau Braz.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual e tiveram como alvo endereços ligados a 15 policiais militares e quatro civis investigados.
A Justiça também determinou o afastamento cautelar dos 15 policiais das atividades operacionais e ostensivas. Eles deverão exercer somente funções administrativas durante o período da medida. Também foi determinado o recolhimento de armas funcionais e particulares.
Durante a operação, uma pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo. O armamento foi apreendido, assim como celulares, documentos e aparelhos eletrônicos que apresentariam indícios de descaminho e serão analisados pelos investigadores.
Segundo o Gaeco, a nova fase foi motivada pela análise de materiais apreendidos nas etapas anteriores. Os investigadores afirmam ter identificado indícios de continuidade das condutas apuradas e possíveis novos envolvidos.
A investigação aponta para um suposto esquema de corrupção em unidades da Polícia Rodoviária Estadual. Entre as práticas investigadas estão pagamentos regulares e fornecimento de combustível por empresas transportadoras em troca de uma suposta redução ou ausência de fiscalização de caminhões.
Também são apuradas suspeitas de irregularidades na classificação de avarias em registros de acidentes e de direcionamento de serviços de guincho mediante pagamentos.
O Gaeco investiga ainda possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro. Conforme as apurações, recursos supostamente obtidos de forma ilícita teriam sido movimentados por meio de transferências envolvendo contas de terceiros, familiares de agentes públicos e empresas dos setores de transporte e guincho.
Com as três fases da Operação Rota 466, as investigações já alcançaram 30 policiais militares, a maioria vinculada à Polícia Rodoviária Estadual. Três investigados também aparecem na Operação Via Pix, conduzida pelo Gaeco de Ponta Grossa, mas as duas apurações são independentes.
Consideradas conjuntamente, as duas operações já investigaram 50 policiais militares, dos quais 42 foram afastados de funções operacionais. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido e a extensão dos fatos apurados.
Com informações do Ministério Público do Paraná