Gaeco prende sete suspeitos em operação contra facção criminosa no Norte do Paraná

Umbra II investiga tráfico de drogas, comércio de armas e comando de atividades ilícitas, inclusive a partir de presídios; diligências ocorreram em seis cidades de dois estados.

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Foto: Ministério Público do Paraná

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), deflagrou nesta quarta-feira (28) a segunda fase da Operação Umbra, denominada Umbra II. A ação investiga a atuação regional de uma facção criminosa no Norte do Paraná e resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo. Os mandados foram autorizados pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina.

A investigação, conduzida pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco, apura suspeitas de envolvimento dos investigados com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e controle disciplinar de integrantes da organização criminosa. As buscas também ocorreram em unidades prisionais onde alguns dos alvos estão detidos.

Estrutura da organização

Segundo o Gaeco, a facção teria uma estrutura hierárquica regional comandada por dois irmãos, que exerceriam funções distintas. Um deles seria responsável pela disciplina dos integrantes, pela transmissão de ordens da cúpula e pela administração regional da organização.

O outro investigado ocuparia uma posição ligada à supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no Paraná. Conforme as apurações, ele também coordenaria o comércio de entorpecentes a partir da zona sul de Londrina.

Os demais suspeitos teriam atribuições como controle financeiro, administração de pontos de venda de drogas, gestão do chamado “tribunal do crime” e negociação de armas de grosso calibre, incluindo fuzis. Os mandados de busca têm como objetivo localizar celulares, entorpecentes, armas, dinheiro e documentos que possam contribuir com a investigação.

Drogas eram usadas para incentivar coleta de assinaturas

Outro ponto identificado pelos investigadores envolve uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que pretendia flexibilizar regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.

De acordo com o Gaeco, a iniciativa era promovida pela facção em Londrina e região, com uma meta nacional de 290 mil assinaturas. Mensagens e registros apreendidos indicariam que porções de drogas eram entregues a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas.

A prática seria abastecida pelos responsáveis pelos pontos de venda de entorpecentes e teria recebido internamente o nome de “trabalho de revertimento”. Planilhas encontradas durante a investigação registrariam a quantidade de drogas destinada a cada ponto e o número de assinaturas obtidas. Em um dos documentos, cada grama de cocaína corresponderia a oito assinaturas.

Suspeitos atuariam mesmo presos

As apurações também apontaram que alguns investigados, mesmo custodiados em unidades penitenciárias do Paraná e de São Paulo, continuariam exercendo funções na organização. Conforme o Ministério Público, eles supostamente transmitiam ordens, negociavam armamentos e administravam a distribuição de drogas, utilizando linhas telefônicas registradas em nome de terceiros para dificultar a identificação.

O material reunido ainda indica uma possível ligação de dois investigados com um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná. Segundo a linha investigativa, o crime teria sido praticado em nome da facção contra um homem apontado como integrante de um grupo rival, e uma criança também morreu na ocasião. Um dos suspeitos relacionados a esse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido.

A investigação segue em andamento para esclarecer a participação individual dos suspeitos e aprofundar a apuração sobre a estrutura e as atividades da organização criminosa. Os investigados poderão responder, entre outros delitos, por tráfico de drogas e favorecimento ao domínio social estruturado.

Com informações do Ministério Público do Paraná

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Redação Paiquerê FM News

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