Helicóptero Arcanjo 01 eleva padrão de resgates durante o Verão Maior Paraná
Empregada em missões de resgate, patrulhamento preventivo e remoção de pacientes em estado grave, a aeronave, que apresenta tempo de resposta de até 15 minutos para qualquer ponto do Litoral paranaense, ampliou significativamente a capacidade operacional dos bombeiros

Quem está aproveitando o Litoral do Estado no Verão Maior Paraná já se habituou com a presença frequente do helicóptero vermelho e amarelo, Arcanjo 01, sobrevoando a faixa de areia. Em seu primeiro ano de operação, a aeronave, exclusiva do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), consolidou-se como um dos principais recursos estratégicos de resposta rápida, salvamento e atendimento aeromédico na temporada de verão, reforçando o compromisso da corporação com a proteção da vida.
Empregado em missões de resgate, patrulhamento preventivo e remoção de pacientes em estado grave, o helicóptero, que apresenta tempo de resposta de até 15 minutos para qualquer ponto do Litoral paranaense, ampliou significativamente a capacidade operacional dos bombeiros durante este período de maior fluxo de turistas. Desde o início da operação, em 19 de dezembro de 2025, até a última sexta-feira (23), o Arcanjo 01 realizou 119 voos no litoral, somando mais de 68 horas em missão, com 51 vítimas atendidas, além de 24 pessoas orientadas durante ações preventivas ao longo da faixa litorânea. Do total de vítimas, 13 foram casos de afogamento e oito foram resgatadas em operações helitransportadas, evitando que situações de risco evoluíssem para afogamentos.
NÚMEROS QUE REPRESENTAM VIDAS – A atuação do Arcanjo 01 vem sendo acionada em ocorrências de grande complexidade e impacto, muitas delas decisivas para salvar vidas. Uma das primeiras missões considerada marcante pela equipe ocorreu antes mesmo do início oficial do Verão Maior Paraná, no dia 30 de novembro, durante patrulhamento preventivo pela orla. A tripulação identificou três pessoas à deriva, afastadas da área segura de banho e distantes entre si. Na ação, dois operadores foram lançados, e duas vítimas foram retiradas da água com a técnica de sling, enquanto a terceira foi resgatada por um guarda-vidas lançado pela aeronave. Todas as vítimas foram salvas sem necessidade de encaminhamento hospitalar.
Segundo o comandante da unidade aérea do CBMPR, major Alexandre Creplive Zem, a ocorrência demonstra claramente o papel preventivo da aeronave. “Essa situação retrata muito bem a importância do patrulhamento aéreo. Se não fosse a atuação da aeronave naquele momento, essa ocorrência tinha tudo para terminar de forma trágica”. Outras ações que exemplificam a importância do emprego da aeronave foram o resgate de cinco vítimas em situação de afogamento, incluindo duas crianças, que integrou o trabalho entre aeronave, motoaquática e guarda-vidas, em 14 de dezembro; o de três homens resgatados também em situação de afogamento, em Guaratuba, em 25 de dezembro, um deles encaminhado em estado moderado ao hospital com apoio da aeronave; além de resgates em áreas de difícil acesso, como o Morro da Quintilha, e atendimentos em rios, como no Poço Preto, em Morretes.
CASOS CLÍNICOS E RECÉM-NASCIDOS – Além dos salvamentos aquáticos, o Arcanjo 01 também tem se destacado no atendimento aeromédico de alta complexidade. Algo que vem chamando atenção nesta temporada é o número de atendimentos clínicos primários, situação menos comum em operações aeromédicas. Segundo o major Zem, o Arcanjo foi acionado para sete casos clínicos diretamente no local da ocorrência, incluindo crises convulsivas, infartos agudos do miocárdio e mal súbito. “Em um desses atendimentos, utilizamos o massageador cardíaco automático durante uma parada cardíaca, o que possibilitou reverter o quadro e encaminhar o paciente com vida ao hospital”, explica o piloto.
Nesta temporada, a aeronave também realizou seu primeiro transporte neonatal com uso de uma incubadora ultraleve, removendo uma recém-nascida prematura, com apenas cinco horas de vida, de Guaratuba para o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. Outra ocorrência de grande relevância foi o resgate de um recém-nascido em parada cardiorrespiratória, em Pontal do Paraná. O bebê, prematuro de 31 semanas, foi reanimado pela equipe aeromédica e encaminhado em estado estável para atendimento hospitalar especializado.
TECNOLOGIA E SEGURANÇA A BORDO – Primeira aeronave dedicada exclusivamente às missões do CBMPR, o Arcanjo 01 é equipado para atuar como uma verdadeira UTI aérea. Além do BabyPod, incubadora neonatal ultraleve já empregada no transporte seguro de recém-nascidos, ele disponibiliza às equipes aeromédicas um ultrassom portátil, que permite avaliação imediata do paciente durante o voo. A aeronave ainda tem entre os equipamentos embarcados um diferencial entre as demais no Paraná, o massageador cardíaco automático, que garante compressões padronizadas durante reanimações.
A aeronave opera com tripulação mista do CBMPR e do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), além de médicos e enfermeiros contratados por meio de parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), garantindo segurança operacional e suporte avançado de vida. Para o major Zem, o primeiro verão de operação do Arcanjo já confirma a importância do investimento realizado pelo Governo do Estado. O helicóptero foi entregue à corporação em setembro de 2025, dentro de um investimento estadual de R$ 49,3 milhões em cinco novas aeronaves para a Segurança Pública. “Apesar de ser o primeiro ano do Arcanjo, o Corpo de Bombeiros já tem décadas de experiência com aviação. Ter uma aeronave própria, empregada da forma que o bombeiro entende como mais adequada, nos permite fechar todo o ciclo do atendimento pré-hospitalar, da prevenção ao encaminhamento ao hospital, com mais rapidez e segurança. É um investimento alto, mas que já está colhendo resultados claros na proteção da vida”, afirma o bombeiro.
O IMPACTO DO RESGATE AÉREO – Para o médico João Cláudio Campos Pereira, diretor técnico do SAMU Litoral, com 18 anos de experiência em resgate aeromédico, o helicóptero representa um salto significativo no atendimento às vítimas. “Um resgate aéreo é entre duas e três vezes mais rápido que o terrestre. Além disso, chegamos com suporte avançado de vida a locais remotos e em tempo recorde. Em doenças tempo-dependentes, como infartos, AVCs, traumas e afogamentos, essa diferença de tempo impacta diretamente no prognóstico do paciente”, explica. Segundo ele, a combinação entre tempo de resposta reduzido, estrutura embarcada de alta tecnologia e equipes treinadas faz do Arcanjo uma ferramenta essencial para salvar vidas no Litoral. “Não há dúvidas sobre o grande valor dessa ferramenta para a população”, conclui o médico. Com informações da AEN.

