Imagens inéditas revelam segredos escondidos do polo sul do Sol
Sonda europeia registra, pela primeira vez, imagens do polo sul solar, abrindo caminho para compreender melhor o campo magnético da estrela e prever tempestades solares que podem afetar a Terra

Cientistas acabam de alcançar um feito histórico na observação do Sol. Pela primeira vez, imagens detalhadas do polo sul solar foram registradas, revelando regiões até então invisíveis para a ciência. O avanço foi possível graças à missão Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, que conseguiu observar a estrela a partir de um ângulo nunca antes alcançado.
Desde a Terra, o Sol sempre foi visto praticamente de frente, o que limitava o estudo de áreas cruciais para o seu comportamento, especialmente os polos. Essas regiões são fundamentais para entender o funcionamento do campo magnético solar, responsável por fenômenos como explosões solares e ejeções de partículas que podem atingir o planeta.
As imagens mostram uma atmosfera solar extremamente ativa e cintilante, com temperaturas que ultrapassam 1 milhão de graus Celsius. Em contraste, surgem nuvens de plasma mais escuras, que parecem frias apenas em comparação, mas ainda alcançam cerca de 100 mil graus. O cenário impressiona pela beleza e, ao mesmo tempo, reforça o caráter violento da estrela.
Segundo os pesquisadores, observar os polos solares é essencial para compreender o chamado ciclo solar, que dura cerca de 11 anos. Nesse período, o campo magnético do Sol passa por fases de organização e caos, até que os polos norte e sul se invertem completamente. É durante essa fase de instabilidade que ocorrem as tempestades solares mais intensas.
Até agora, a ausência de dados diretos dos polos dificultava modelos de previsão. Com as novas imagens, os cientistas conseguem acompanhar o deslocamento do plasma, o transporte do campo magnético e o processo de inversão dos polos — informações consideradas a “peça que faltava” para entender o comportamento do Sol.
O objetivo final é melhorar a previsão do chamado clima espacial. Tempestades solares podem causar danos significativos à Terra, como falhas em satélites, interrupções em sistemas de comunicação e apagões em redes elétricas. Com dados mais precisos, seria possível adotar medidas preventivas, reduzindo riscos e prejuízos.
Além disso, a Solar Orbiter registrou o Sol em diferentes comprimentos de onda, cada um associado a elementos químicos específicos, como hidrogênio, oxigênio e magnésio. Com o instrumento SPICE, os pesquisadores também mediram a velocidade do vento solar, ampliando o entendimento sobre como a estrela libera energia e partículas no espaço.
As imagens inéditas do polo sul marcam o início de uma nova era na observação solar. Pela primeira vez, o Sol está sendo estudado sem pontos cegos, revelando que, apesar de ser a estrela mais próxima da Terra, ainda guarda muitos mistérios — agora, finalmente, ao alcance dos olhos humanos.
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