Irã acusa EUA e Israel de envolvimento em protestos que já deixaram dezenas de mortos
O governo iraniano também determinou o bloqueio da internet e da rede telefônica em diversas regiões, o que tem dificultado a circulação de informações sobre a situação no país

O governo do Irã acusou nesta sexta-feira (9) os Estados Unidos e Israel de estarem por trás das manifestações que se espalham pelo país nas últimas semanas. Segundo autoridades iranianas, “mercenários” ligados aos dois países teriam participado de atos de vandalismo, como incêndios a bancos, mesquitas e a um santuário religioso na cidade de Dezful. As acusações foram divulgadas pela agência estatal Tasnim e pelo Ministério da Inteligência iraniano, que pediu à população ajuda para identificar supostos envolvidos. Até o momento, Estados Unidos e Israel não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias, que não puderam ser verificadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime.
Os protestos começaram no fim de dezembro, motivados inicialmente pela crise econômica, marcada por inflação acima de 40% e forte desvalorização da moeda local. Com o avanço das manifestações e a repressão policial, os atos passaram a incluir pedidos pela renúncia do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Khamenei afirmou que o governo não vai recuar e classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. As manifestações já atingiram ao menos 25 das 31 províncias iranianas e, segundo organizações de direitos humanos, deixaram mais de 40 mortos, além de centenas de feridos e milhares de detidos. O governo iraniano também determinou o bloqueio da internet e da rede telefônica em diversas regiões, o que tem dificultado a circulação de informações sobre a situação no país. Com informações: Portal G1

