Londrina amplia uso de mosquitos com Wolbachia no combate à dengue
Método será levado para regiões que ainda não receberam a tecnologia e busca reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya

O combate à dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti ganhará reforço em Londrina nos próximos meses. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou a ampliação do método Wolbachia para regiões da cidade que ainda não receberam a tecnologia. A iniciativa utiliza mosquitos protegidos pela bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana dentro do inseto. Equipes da Vigilância em Saúde se reuniram nesta terça-feira (19) com profissionais da Fundação Oswaldo Cruz e da Wolbito do Brasil para alinhar o planejamento da nova etapa. Segundo os organizadores, aproximadamente 60% do município já conta com cobertura do método, que agora será expandido para novas regiões da cidade.
De acordo com o assessor da vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Diogo Chalegre, Londrina apresentou resultados positivos na primeira fase do projeto. “A população entendeu e aceitou a tecnologia, o que reforça também o excelente trabalho da equipe de agentes da Prefeitura na divulgação dessa informação”, destacou. A bactéria Wolbachia é encontrada naturalmente em insetos como moscas, borboletas e libélulas. Pesquisas realizadas na Austrália identificaram que a inserção do microrganismo no Aedes aegypti impede que o mosquito transmita doenças virais.
Segundo o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre Ribeiro, os mosquitos liberados no ambiente passam a se reproduzir naturalmente. “Quando o nosso mosquito cruza com o mosquito que já existe na localidade, o filhote nasce com Wolbachia”, explicou. A empresa mantém em Curitiba a maior biofábrica do mundo voltada à produção deste tipo de mosquito. A previsão é que a segunda etapa da soltura dos Wolbitos em Londrina tenha início no segundo semestre deste ano, com execução das equipes da Vigilância em Saúde do município.
A diretora de Vigilância em Saúde, Fernanda Fabrin, reforçou que o método Wolbachia não substitui os cuidados tradicionais de prevenção. “As novas tecnologias são bem-vindas para que a gente consiga diminuir os números. Mas é uma soma de tecnologias”, afirmou. Ela destacou que a eliminação de criadouros e os cuidados dentro das residências continuam fundamentais para evitar a proliferação do mosquito. O gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, ressaltou que Londrina tem investido em diferentes estratégias de combate à dengue, incluindo armadilhas ovitrampas, georreferenciamento de casos e parcerias com universidades para previsão de surtos. Segundo ele, a combinação dessas ações já apresenta resultados positivos. Em 2026, a incidência da dengue no município está cerca de 70% menor em comparação ao mesmo período do ano passado.

