Londrina estuda liberar canabidiol isolado para pacientes com autismo na rede pública
Proposta prevê protocolo com critérios médicos e pode beneficiar até 350 pacientes inicialmente

Londrina deu mais um passo para regulamentar o uso de canabidiol isolado no tratamento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede pública. Um protocolo técnico elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde foi apresentado ao prefeito Tiago Amaral e servirá de base para um projeto de lei que será encaminhado à Câmara de Vereadores. O documento estabelece critérios rigorosos para a prescrição do medicamento, incluindo avaliação médica, monitoramento contínuo e regras para manutenção do tratamento. A proposta prevê o uso do canabidiol em duas concentrações (50 e 100 mg/mL), destinado a pacientes que não apresentaram resposta satisfatória aos tratamentos convencionais.
Segundo a Secretaria de Saúde, o medicamento não possui efeito psicoativo e já conta com validação de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O protocolo indica o uso especialmente em casos de agressividade, irritabilidade e hiperatividade intensas associadas ao TEA. A expectativa é que, inicialmente, cerca de 350 pacientes — principalmente crianças atendidas pela rede municipal — sejam beneficiados. Em um cenário projetado para cinco anos, esse número pode chegar a 1.750 pessoas. O custo anual estimado da política pública é de aproximadamente R$ 9 milhões.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, a iniciativa busca oferecer mais qualidade de vida às crianças e suas famílias, com uso responsável e baseado em evidências científicas. A neuropediatra Ana Gobbi, que participou da elaboração do protocolo, destacou que a medida garante segurança clínica, ética e legal no uso do medicamento. Atualmente, em Londrina, o canabidiol já é utilizado em casos específicos de epilepsia refratária, mas com regulamentação estadual. A nova proposta amplia o acesso, caso seja aprovada pelo Legislativo.

