Ministério da Saúde avalia incluir PrEP injetável de longa duração no SUS
Proposta será analisada pela Conitec em agosto e amplia debate sobre novas estratégias de prevenção ao HIV durante conferência internacional realizada no Brasil

O Ministério da Saúde anunciou que está em avaliação a incorporação da PrEP injetável de longa duração ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada pela primeira vez na América do Sul.
O pedido de incorporação foi encaminhado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar a inclusão de novos medicamentos, equipamentos e procedimentos na rede pública. A previsão é de que a proposta seja discutida em agosto.
Caso seja aprovada, a tecnologia passará a integrar as estratégias de prevenção ao HIV disponíveis no SUS. Diferentemente da PrEP oral, atualmente ofertada pelo sistema, a versão injetável é administrada a cada dois meses.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a adoção de novas tecnologias busca ampliar as alternativas de prevenção para pessoas que encontram dificuldades em manter o uso diário da medicação. Ele ressaltou ainda que a incorporação de novas tecnologias ao SUS considera critérios técnicos, científicos, econômicos e de acesso à população.
A ação de prevenção, a PrEP é indicada para pessoas que não vivem com o HIV, mas apresentam maior risco de exposição ao vírus. Desde que passou a ser oferecida pelo SUS, 356 mil pessoas iniciaram o uso da profilaxia no país.
Além da PrEP oral, a rede pública disponibiliza outras estratégias de prevenção, como preservativos, gel lubrificante, profilaxia pós-exposição (PEP), testes rápidos e autotestes. O SUS também oferece tratamento antirretroviral, acompanhamento clínico e atendimento multiprofissional às pessoas que vivem com HIV.
Durante a conferência, o Ministério da Saúde também informou que acompanha pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos de ação prolongada, incluindo projetos conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com instituições privadas.
Na área de vigilância, o Brasil recebeu, em dezembro de 2025, a certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. O reconhecimento foi concedido após o país atingir metas relacionadas à redução da transmissão da infecção de mãe para filho durante a gestação, o parto e a amamentação.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam ainda que o país registrou 9,1 mil mortes relacionadas à aids em 2024, número 13% menor que o registrado no ano anterior. Segundo a pasta, atualmente 22% das pessoas diagnosticadas com HIV iniciam o tratamento no mesmo dia da confirmação da infecção, enquanto mais da metade começa a terapia antirretroviral em até 30 dias.
Com informações Deborah Novais / Ministério da Saúde
