Monitora de um CMEI é presa após denúncia de agressões contra crianças
Quatro crianças de 3 anos são apontadas como possíveis vítimas; outras duas profissionais também são investigadas pela Polícia Civil

Uma monitora de 54 anos foi presa preventivamente nesta sexta-feira (21) durante uma investigação sobre supostos episódios de violência contra crianças em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Cascavel, no Oeste do Paraná.
A mulher é investigada por crimes como tortura, maus-tratos, lesão corporal e coação no curso do processo. Conforme a Polícia Civil, quatro crianças de 3 anos são consideradas possíveis vítimas.
O caso está sob responsabilidade do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) de Cascavel. A apuração começou em 14 de abril deste ano, depois que o CMEI Geraldo Figueiredo procurou a polícia e entregou uma ficha de referência acompanhada de gravações feitas dentro da unidade.
Os vídeos passaram a ser analisados pelos investigadores, que identificaram, segundo a polícia, comportamentos considerados incompatíveis com a função exercida pela monitora.
Entre as cenas analisadas está uma em que a investigada aparece puxando uma criança pelo braço e arrastando-a pelo interior da sala de aula.
Em outra gravação, segundo a Polícia Civil, crianças teriam sido obrigadas a segurar garrafas congeladas. Os investigadores também identificaram uma situação em que uma criança teria sido impedida de entrar no tatame da sala e obrigada a permanecer sentada no chão frio.
A investigação aponta ainda que uma das crianças teria desenvolvido um quadro de intenso medo e sofrimento psicológico. Conforme a polícia, a vítima passou a arrancar os próprios cabelos e a se machucar.
Além da monitora presa, duas outras profissionais, de 44 e 50 anos, também são investigadas no caso. Elas não foram presas, mas a Justiça determinou medidas cautelares, incluindo o afastamento das funções públicas e a proibição de contato com as vítimas e testemunhas.
Segundo a Polícia Civil, a monitora presa teria ameaçado e coagido testemunhas, principalmente integrantes da direção do CMEI, depois de descobrir que era alvo da investigação. A suspeita de interferência no andamento do processo foi um dos motivos apresentados para o pedido de prisão preventiva.
A mulher foi localizada em casa nesta sexta-feira, não resistiu à prisão e foi encaminhada à Cadeia Pública de Cascavel, onde permanece à disposição da Justiça. Em depoimento, ela negou as acusações.
O inquérito continua em andamento. As outras duas profissionais ainda serão interrogadas, enquanto os investigadores buscam identificar possíveis novas vítimas e testemunhas.
A Polícia Civil informou que as imagens não serão divulgadas para preservar a identidade e a imagem das crianças envolvidas no caso.
