Morte de jovem em Londrina mobiliza cobrança por apuração como feminicídio; Neias publica nota oficial

Thaissa Oliveira Marques, de 21 anos, foi morta enquanto trabalhava na zona leste; entidade Néias pediu investigação rigorosa e políticas de prevenção à violência contra mulheres

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Gabriel, preso pelo feminicídio de Thaissa. Foto: Reprodução RIC TV

A morte de Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, causou forte comoção em Londrina. A jovem, estudante de Nutrição, foi morta nesta sexta-feira (11), enquanto trabalhava na entrega de panfletos em frente a uma academia na Avenida Celso Garcia Cid, na zona leste da cidade.

O Néias, observatório de Feminicídios Londrina, divulgou uma nota de pesar pela morte de Thaissa e cobrou que o caso seja investigado com perspectiva de gênero. No texto, a entidade afirma que a ausência de vínculo íntimo entre vítima e agressor não afasta a possibilidade de feminicídio, já que a legislação brasileira também reconhece o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher como razão de gênero.

Segundo informações preliminares, Thaissa divulgava a inauguração de um estabelecimento quando foi abordada por um homem que estava nas proximidades. Ele teria levado a jovem à força para dentro do imóvel e tentado cometer violência sexual. A vítima reagiu, entrou em luta corporal com o suspeito, mas foi esfaqueada e morreu no local.

Após o crime, o homem teria ido até uma oficina próxima alegando que havia sido assaltado. Funcionários desconfiaram da versão e acionaram a Polícia Militar e o Samu. O suspeito foi preso e encaminhado pelas autoridades. A Polícia Civil deve formalizar depoimentos e reunir novos elementos para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

A Prefeitura de Londrina lamentou a morte da jovem nas redes sociais e informou que o autor confesso foi preso. A administração municipal também se solidarizou com a família de Thaissa e reforçou o compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher.

O caso ocorre em um cenário de aumento dos registros de violência contra mulheres. Em Londrina, dados do Sistema de Indicadores do Município apontam que os atendimentos no Centro de Referência de Atendimento à Mulher mais que quadruplicaram entre 2022 e 2025. No Paraná, relatório do Ministério da Justiça e Segurança Pública indica alta de 17% nos feminicídios no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nota do Néias

“Toda jovem tem sonhos, faz planos e se esforça para alcançar seus objetivos. Thaissa Gabriely Oliveira Marques era uma delas. Com apenas 21 anos, universitária do curso de Nutrição, trabalhava para alcançar novas metas e ajudar a família. Mas, na tarde desta sexta-feira, um feminicida cruzou seu caminho.

Conforme notícias divulgadas pela imprensa, não havia qualquer vínculo entre a jovem e o homem preso pelo crime, que teria cerca de 20 anos. A ausência de vínculo íntimo prévio não afasta o feminicídio. A legislação brasileira reconhece como razões da condição do sexo feminino tanto a violência doméstica e familiar quanto o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher. É esta segunda hipótese, prevista no inciso II do § 1º do art. 121-A do Código Penal, que deve orientar a investigação deste caso.

Não se trata de uma tragédia sem explicação. Mulheres também são mortas por homens desconhecidos em contextos nos quais sua condição de mulher estrutura a escolha da vítima, a abordagem, a violência praticada ou as circunstâncias do crime. É preciso compreender que nossa estrutura social está fraturada quando um homem desconhecido se sente à vontade para abordar e assassinar uma mulher apenas pelo que ela é.

Registramos nosso profundo pesar pela morte trágica de Thaissa e expressamos nossa solidariedade à família, às amigas e aos amigos que a amavam.

Seu nome não será esquecido. Sua morte não será tratada como fatalidade.

Cobramos do poder público investigação rigorosa, com perspectiva de gênero, processamento célere do caso e responsabilização do autor nos termos da lei. Cobramos que a hipótese de feminicídio por menosprezo ou discriminação à condição de mulher seja devidamente investigada e que este processo não se perca entre os tantos acompanhados pelo Néias na Comarca de Londrina, muitos deles marcados pela lentidão e pela revitimização das famílias.

Cobramos também políticas públicas de prevenção ao feminicídio que reconheçam a diversidade dos contextos em que mulheres são assassinadas por razões de gênero. Prevenir feminicídios exige enfrentar não apenas a violência nas relações íntimas e familiares, mas também as formas de violência e menosprezo contra mulheres que se manifestam nos espaços públicos e nas relações entre desconhecidos.

Seguiremos exigindo uma sociedade em que mulheres possam existir, estudar, trabalhar, circular e viver sem que sua condição de mulher as transforme em alvo da violência masculina. Uma sociedade que Thaissa tinha o direito de viver para ver.

Por nenhuma a menos.”

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Redação Paiquerê FM News

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