MPPR denúncia três policiais civis por suspeita de abuso de autoridade no Paraná
Diligência realizada em Curitiba, em 2024, teria ocorrido sem autorização oficial; um dos investigados exercia mandato de deputado estadual na época

O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou três policiais civis por suspeita de abuso de autoridade em uma operação realizada sem autorização oficial em Curitiba, em 21 de março de 2024. Os investigados são dois delegados e um agente de polícia judiciária. Na época, um dos delegados ocupava o cargo de deputado estadual, enquanto os outros dois estavam cedidos a gabinetes parlamentares.
Segundo a investigação da Corregedoria da Polícia Civil, o grupo realizou uma diligência em uma residência no bairro Bacacheri sem comunicar formalmente a corporação ou contar com uma equipe institucional. Os policiais teriam utilizado um veículo particular equipado com sinalizador luminoso e coletes com identificação oficial da Polícia Civil do Paraná.
Operação foi divulgada nas redes sociais
A diligência foi acompanhada por uma equipe de televisão e divulgada nas redes sociais dos próprios investigados.
Conforme o MPPR, a operação foi apresentada como uma ação para localizar um suspeito de mandar matar um advogado. No entanto, segundo a Promotoria, a ordem judicial utilizada na diligência estava relacionada ao descumprimento de uma medida protetiva de urgência.
Para o Ministério Público, a divulgação da operação teria sido utilizada para promover a imagem pessoal dos envolvidos e obter projeção política e eleitoral.
Denúncia também aponta suspeita de porte ilegal de arma
Apresentada em 11 de outubro, a denúncia inclui, além do suposto abuso de autoridade, a acusação de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito contra o deputado estadual e o agente de polícia judiciária.
O caso está em fase preliminar na Justiça. A 4ª Vara Criminal de Curitiba determinou que os denunciados sejam notificados para apresentar suas respostas antes de decidir se aceita a denúncia e dá início à ação penal.
A apresentação da denúncia não significa condenação. Caberá à Justiça avaliar os elementos apresentados pelo Ministério Público e decidir sobre o prosseguimento do processo.