O cérebro no fim de ano: o que a neurociência diz sobre o cansaço e a euforia de dezembro
O período de fim de ano submete o cérebro a um estado de alta estimulação, impactando neurotransmissores como a dopamina e sobrecarregando o córtex pré-frontal. Pesquisas indicam que a combinação de expectativas elevadas, excesso de compromissos sociais e balanços emocionais pode resultar em exaustão mental e ansiedade. O descanso consciente é apontado como fundamental para restaurar o equilíbrio neuroquímico e preparar a mente para o novo ciclo

Embora dezembro seja sinônimo de festas e férias, o cérebro humano opera de forma intensiva durante esse período. De acordo com a neurociência, a transição para o fim de ano ativa circuitos complexos que alternam entre a euforia da recompensa e a exaustão provocada pelo excesso de estímulos.
Abaixo, os principais impactos mentais identificados pela ciência:
A montanha-russa da dopamina: A antecipação de viagens e celebrações libera dopamina, gerando motivação. Contudo, expectativas irreais podem causar uma queda brusca nesse neurotransmissor, resultando em sentimentos de frustração e vazio pós-festas.
Sobrecarga cognitiva: O córtex pré-frontal, área responsável pelo planejamento e decisões, é exigido ao limite com a organização de eventos e compras. Esse “modo intensivo” de operação explica os frequentes lapsos de memória e a dificuldade de concentração relatados na época.
Memória emocional e balanço: O fechamento de ciclos ativa áreas ligadas às lembranças, promovendo reflexões sobre conquistas e perdas. Se não houver equilíbrio, esse processo pode intensificar a autocrítica e o risco de tristeza.
A importância da pausa real
Estudos reforçam que o cérebro necessita de uma redução drástica de demandas cognitivas para se reorganizar. O descanso consciente — que inclui sono de qualidade e distanciamento de telas — permite que a mente entre em modo de recuperação, fortalecendo a criatividade e a regulação emocional.
Essa transição explica também a sensação de lentidão em janeiro: após um pico de estímulos, o cérebro enfrenta uma queda natural na ativação dos circuitos de recompensa. Ajustar o ritmo e manter o autocuidado são as estratégias recomendadas para atravessar essa adaptação com mais saúde mental.

