O computador gigante que pesava como seis elefantes e deu início à era digital
Muito antes de computadores caberem no bolso, a tecnologia digital nasceu em uma máquina de 28 toneladas. Criado durante a Segunda Guerra Mundial, o ENIAC foi o primeiro computador eletrônico de uso geral e marcou o início de uma revolução que transformou ciência, guerra e, décadas depois, o cotidiano das pessoas

Apresentado oficialmente em 1946, o ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Computer) é considerado o primeiro computador eletrônico de grande escala da história. A máquina impressionava não apenas pela inovação, mas pelo tamanho: pesava cerca de 28 toneladas — o equivalente a quase seis elefantes — e ocupava uma área de aproximadamente 180 metros quadrados, o espaço de uma sala inteira.
Desenvolvido nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, o ENIAC foi encomendado pelo Exército para realizar cálculos balísticos, tarefa que antes levava dias e passou a ser feita em minutos. Com capacidade para realizar cerca de 500 multiplicações por segundo, o computador consumia 170 quilowatts de energia, o suficiente para abastecer uma pequena cidade da época.
O funcionamento do ENIAC era bem diferente dos computadores modernos. Ele não possuía sistema operacional nem memória como conhecemos hoje. A programação era feita manualmente, com cartões perfurados, cabos e chaves físicas, exigindo horas — ou dias — de reconfiguração para cada novo cálculo.
Embora os nomes mais associados ao projeto sejam os dos engenheiros John Eckert e John Mauchly, um detalhe histórico ficou por muito tempo esquecido: o primeiro grupo de programadores da história era formado por mulheres. Frances Spence, Betty Holberton, Jean Bartik, Kay McNulty, Marlyn Wescoff e Ruth Lichterman foram responsáveis por transformar equações matemáticas em instruções compreensíveis para a máquina, trabalhando sem linguagens de programação, apenas com diagramas e lógica.
Inicialmente mantido como segredo militar, o ENIAC ganhou notoriedade mundial após ser apresentado ao público. Apesar do impacto, sua vida útil foi curta: cerca de 10 anos. Rapidamente, ele foi superado por computadores mais avançados, como o EDVAC, que já permitia armazenar dados na memória.
Hoje, partes do ENIAC estão preservadas em instituições como o Smithsonian Institution, nos Estados Unidos, onde seguem como símbolo do nascimento da computação moderna.
Do gigante de 28 toneladas aos smartphones atuais, a evolução tecnológica ocorreu em poucas décadas. Um celular moderno possui milhões de vezes mais capacidade de processamento do que o ENIAC. Ainda assim, foi aquele “monstro” barulhento, criado para a guerra, que abriu caminho para a era digital e para tudo o que hoje faz parte da vida cotidiana.
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