O que acontece com o corpo antes da morte

Nos últimos dias ou horas de vida, o corpo passa por mudanças naturais conhecidas como fase ativa da morte. Especialistas em cuidados paliativos explicam que reconhecer esses sinais ajuda a garantir conforto, evitar intervenções desnecessárias e permitir despedidas mais tranquilas

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A morte é a única certeza da vida, mas ainda assim muitas pessoas desconhecem o que acontece com o corpo quando o fim se aproxima. Nos momentos finais, o organismo entra em um processo natural de desligamento progressivo, no qual já não há intervenções capazes de reverter o quadro. Para especialistas em cuidados paliativos, compreender esse processo é essencial para oferecer conforto físico e emocional.

Essa etapa é chamada de fase ativa da morte e costuma ocorrer nos últimos dias ou horas de vida, especialmente em casos de doenças crônicas e progressivas, como câncer e demência. Nesse período, os órgãos e sistemas começam a reduzir suas funções de forma gradual, até não conseguirem mais sustentar a vida.

A médica Ana Claudia Quintana Arantes, referência em cuidados paliativos no Brasil, compara esse momento a um desligamento lento do corpo. Um dos primeiros sinais costuma ser um cansaço profundo. A pessoa dorme a maior parte do tempo, tem dificuldade para se movimentar e passa a se isolar, apresentando períodos de inconsciência. O organismo passa a priorizar apenas as funções vitais.

O sistema digestivo é um dos primeiros a desacelerar. A sensação de fome e sede diminui naturalmente, reduzindo a ingestão de alimentos e líquidos, assim como a necessidade de ir ao banheiro. Especialistas explicam que essa mudança é esperada e não significa sofrimento. A circulação também se altera: mãos, pés e lábios podem ficar frios, pálidos ou arroxeados, reflexo da menor irrigação sanguínea.

Mesmo com sonolência intensa, a presença da família continua sendo importante. Médicos orientam que falar com a pessoa, segurar suas mãos e manter um toque suave pode trazer conforto. Estudos indicam que sentidos como audição e tato podem permanecer ativos até os momentos finais.

Outra mudança comum é a diminuição dos líquidos no organismo. Boca, olhos e lábios ficam secos, e a produção de saliva reduz. Na maioria dos casos, não há indicação de hidratação intravenosa. Medidas simples, como umedecer os lábios, usar colírios e hidratantes na pele, ajudam a aliviar o desconforto e devem ser discutidas com a equipe de saúde.

Uma das maiores dúvidas é se morrer dói. Especialistas explicam que alguns sintomas podem surgir, como dor, falta de ar, náuseas ou agitação. No entanto, a medicina dispõe de recursos eficazes para controle desses sintomas, como o uso de medicamentos analgésicos e sedativos. Com acompanhamento adequado, é possível tornar esse processo mais sereno.

Em alguns casos, ocorre a chamada “melhora da morte” ou “visita da saúde”. A pessoa parece despertar, conversa mais, demonstra apetite e interage com familiares. Apesar de gerar esperança, esse momento costuma ser breve e não indica recuperação. Para muitos, é uma oportunidade importante de despedidas e demonstrações de afeto.

À medida que o fim se aproxima, a respiração se torna irregular, com pausas longas e sons provocados pelo acúmulo de secreções na garganta. Embora angustiante para quem observa, esse sinal geralmente não causa sofrimento à pessoa. Quando necessário, profissionais podem intervir para aumentar o conforto.

O momento da morte ocorre com a última expiração. Em seguida, o coração para de bater, o cérebro deixa de funcionar e o corpo se desliga gradualmente. Especialistas orientam que não há necessidade de pressa após esse instante. Permanecer ao lado da pessoa por alguns minutos pode ajudar no processo de despedida.

Falar sobre a morte e compreender o que acontece com o corpo nesse período é uma forma de humanizar o cuidado, reduzir o medo e tornar esse momento menos solitário, tanto para quem parte quanto para quem fica.

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