O que acontece com o corpo quando você fica 36 horas sem comer?

Ficar 36 horas sem se alimentar provoca mudanças profundas no metabolismo. O corpo esgota reservas de glicose, passa a usar gordura como fonte de energia e ativa mecanismos de adaptação celular, mas especialistas alertam que a prática exige cautela e não é indicada para todos

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Imagem do post

Ficar mais de um dia inteiro sem comer pode parecer extremo, mas esse tipo de jejum prolongado desperta curiosidade e debates na área da saúde. Ao longo de 36 horas sem ingestão de alimentos, o organismo passa por uma série de ajustes metabólicos que vão além da simples sensação de fome.

Nas primeiras horas sem comida, o corpo ainda utiliza a energia dos alimentos ingeridos anteriormente. Entre 12 e 18 horas, as reservas de glicose armazenadas no fígado começam a se esgotar. A partir desse ponto, o organismo passa a buscar outras fontes de energia, liberando gordura corporal e produzindo cetonas, que passam a servir como combustível alternativo, inclusive para o cérebro. É nesse momento que se inicia o estado conhecido como cetose.

Com a continuidade do jejum, hormônios como a insulina apresentam queda significativa. Essa redução pode favorecer a queima de gordura e melhorar temporariamente a sensibilidade do corpo a esse hormônio. Especialistas explicam que o metabolismo entra em um modo mais eficiente de uso das próprias reservas energéticas, embora esse efeito varie de pessoa para pessoa.

Outro processo ativado durante jejuns mais longos é a autofagia, mecanismo de “reciclagem celular” no qual o organismo degrada células danificadas para reaproveitar seus componentes. Pesquisas associam a autofagia à manutenção da saúde celular e a possíveis benefícios metabólicos, embora ainda existam estudos em andamento sobre seus efeitos a longo prazo em humanos.

Durante esse período, é comum sentir fome intensa, fraqueza, dor de cabeça ou tontura. Esses sintomas costumam ocorrer enquanto o corpo faz a transição do uso da glicose para a gordura como principal fonte de energia. Em algumas pessoas, a sensação de fome diminui após a adaptação metabólica, mas isso não acontece de forma igual para todos.

Apesar das possíveis mudanças metabólicas, especialistas alertam que o jejum de 36 horas não é indicado para todos. Pessoas com doenças crônicas, diabetes, histórico de transtornos alimentares, além de gestantes e lactantes, devem evitar esse tipo de prática ou realizá-la apenas com acompanhamento médico. Há também risco de desidratação, desequilíbrio de eletrólitos e queda acentuada de energia.

Embora alguns adeptos relatem melhora no foco mental ou perda de peso, não há consenso científico de que jejuns prolongados tragam benefícios duradouros para a saúde. Além disso, uma alimentação desequilibrada após o período sem comer pode anular qualquer efeito positivo.

No fim das contas, passar 36 horas sem se alimentar realmente altera o funcionamento do corpo e coloca o metabolismo em um estado diferente do habitual. Ainda assim, entender os próprios limites, buscar orientação profissional e adotar uma abordagem equilibrada continuam sendo os fatores mais importantes antes de tentar práticas de jejum prolongado.

PUBLICIDADE
Marketing Paiquerê FM

Todas as notícias de Londrina, do Paraná, do Brasil e do mundo.