Operação Gomorra: Gaeco e Polícia Civil prendem políticos em Xambrê por esquema de aliciamento de adolescentes e produção de material íntimo

Investigação aponta que o presidente interino da Câmara Municipal e um ex-secretário municipal utilizavam cargos públicos e influência em ambiente religioso para se aproximar de menores e trocar conteúdos ilícitos.

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Foto: Câmara e Prefeitura de Xambrê

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil deflagraram uma operação no município de Xambrê, no Noroeste do Paraná, para desarticular um esquema voltado a crimes contra a dignidade sexual. A ação resultou na prisão preventiva de dois homens que utilizavam de sua influência pública para cometer os ilícitos.

Os investigados foram identificados como Edinalvo Lima Venturi, presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, que ocupava o cargo de secretário municipal de Cultura e já foi exonerado. Segundo as autoridades, ambos se aproveitavam de posições de destaque na administração e em instituições religiosas para estabelecer contato inicial com adolescentes.

A partir dessa aproximação em ambientes cotidianos, a relação evoluía para as redes sociais. De acordo com o delegado do Gaeco, Matheus Prado Amui Rodrigues, os suspeitos utilizavam de forte poder de persuasão, oferecendo dinheiro ou outras vantagens para convencer as vítimas — com idades entre 13 e 17 anos — a produzir e enviar materiais íntimos.

Embora atutassem de forma individual nas abordagens, as investigações revelaram que os dois compartilhavam informações sobre as adolescentes e trocavam entre si os conteúdos ilícitos obtidos. A apuração técnica indicou que a conduta predatória ocorria de maneira recorrente, com registros de conversas que se estenderam do início de 2021 até o final de 2025.

Até o momento, o inquérito mapeou 16 potenciais vítimas afetadas pelo esquema. A origem da Operação Gomorra remonta a análises de materiais apreendidos em março deste ano durante a Operação Res Privata, quando a perícia em um aparelho celular revelou diálogos comprometedores que expuseram a rede de exploração.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais autorizados pelo Juízo de Garantias, as equipes apreenderam celulares, documentos e anotações que passarão por novas etapas de exames periciais. Em desdobramento da ação, uma terceira pessoa acabou autuada e presa em flagrante por posse ilegal de munições.

Com a efetivação das prisões preventivas, a força-tarefa policial espera que outras possíveis vítimas ou testemunhas sintam-se encorajadas a denunciar, visto que o grau de influência exercida pelos suspeitos na comunidade local representava um obstáculo para a revelação dos abusos.

As apurações continuam em andamento para esmiuçar o material apreendido, dimensionar a totalidade dos crimes cometidos — que envolvem exploração sexual, importunação e armazenamento de registros de violência — e identificar eventuais novos envolvidos na rede criminosa.

Com informações do Portal O Bemdito

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Redação Paiquerê FM News

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