Larissa Amorim, de 29 anos, morreu em maio, 59 dias após uma decisão judicial determinar o fornecimento imediato de um medicamento indicado para o tratamento da leucemia. Segundo informações divulgadas, a paciente não chegou a receber a medicação antes da morte.
Mãe de dois filhos, Larissa enfrentava a doença desde a infância. O remédio recomendado pelos médicos fazia parte de uma terapia de imunoterapia e já havia sido avaliado pelo governo federal, com inclusão em protocolos clínicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para casos específicos.
O caso levou a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) a apresentar uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) e à Procuradoria-Geral da República, pedindo a apuração de possíveis falhas estruturais que dificultariam o acesso de pacientes a tratamentos considerados necessários.
A entidade afirma que existem problemas recorrentes que impedem pessoas com câncer de receber medicamentos reconhecidos pelo próprio Estado como seguros e eficazes. O objetivo é investigar eventuais falhas nos processos de disponibilização dos tratamentos.
Questionado sobre o caso, o Ministério da Saúde informou que tomou medidas para cumprir a decisão judicial. A pasta afirmou que, diante da indisponibilidade imediata do medicamento, solicitou autorização para realizar um depósito judicial, mas não recebeu resposta.
O ministério também declarou que o medicamento blinatumomabe foi incorporado ao SUS para determinadas situações relacionadas à Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), mas afirmou que a incorporação não abrangeria o quadro clínico específico apresentado pela paciente.
A decisão judicial citada no caso apontava que Larissa tinha Leucemia Linfoblástica Aguda B, condição que teria evoluído a partir de uma Leucemia Mieloide Crônica diagnosticada ainda na infância. O caso segue sendo questionado por entidades de defesa dos pacientes com câncer.