Pesquisadores comprovam: parte do DNA humano vem de vírus antigos — e isso foi essencial para nossa evolução

Estudos recentes mostram que cerca de 8% do DNA humano é formado por fragmentos de vírus ancestrais. Antes chamados de “DNA lixo”, esses trechos genéticos têm papel fundamental na ativação de genes ligados ao desenvolvimento embrionário e à evolução humana

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Durante décadas, uma parte significativa do genoma humano foi tratada como irrelevante pela ciência. Conhecidos como “DNA lixo”, esses fragmentos pareciam não ter função definida. Agora, pesquisas recentes mostram que essa visão estava equivocada. Cientistas comprovaram que cerca de 8% do DNA humano é composto por material genético derivado de vírus antigos — e que esses trechos são fundamentais para o funcionamento do organismo.

Esses fragmentos são chamados de elementos transponíveis (TEs), também conhecidos como “genes saltadores”. Eles surgiram a partir de infecções virais ocorridas há milhões de anos e foram incorporados de forma permanente ao genoma dos nossos ancestrais. Longe de serem inúteis, esses elementos atuam como reguladores da atividade genética, especialmente nas fases iniciais do desenvolvimento humano.

Um dos estudos mais recentes, publicado na revista científica Science Advances, analisou uma família específica desses elementos, conhecida como MER11. De acordo com os pesquisadores, esses fragmentos teriam sido integrados ao DNA dos primatas há pelo menos 40 milhões de anos. A subfamília mais jovem do MER11 demonstrou capacidade de ativar genes em células-tronco e células neurais ainda nos estágios iniciais da formação embrionária.

Em entrevista repercutida pela CNN Brasil, o professor de genômica funcional Fumitaka Inoue explicou que, embora o genoma humano já tenha sido sequenciado há bastante tempo, muitas de suas funções ainda permanecem desconhecidas. Segundo ele, a importância desses trechos virais tende a ficar cada vez mais clara com o avanço das pesquisas.

Os cientistas identificaram que esses fragmentos funcionam como verdadeiros “interruptores genéticos”, capazes de ligar ou desligar genes importantes para o desenvolvimento primário do corpo humano. Para o pesquisador Lin He, compreender esse mecanismo abre novas possibilidades para entender doenças genéticas, a biologia humana e o próprio processo evolutivo.

Além disso, tecnologias modernas como o CRISPR têm permitido analisar em detalhes como esses elementos influenciam a estrutura da cromatina — o conjunto de DNA e proteínas que organiza os genes dentro das células. Esses estudos ajudam a explicar por que certas doenças afetam humanos, mas não outras espécies.

A principal conclusão é clara: o chamado “DNA lixo” não é sobra evolutiva. Ele representa um sofisticado sistema de regulação genética herdado de vírus ancestrais, reaproveitado pela evolução ao longo de milhões de anos. Essa descoberta pode abrir caminho para novas estratégias médicas, diagnósticos mais precisos e tratamentos inovadores no futuro.

Como resumiu uma das geneticistas envolvidas nas pesquisas, a evolução não desperdiça nada — ela recicla, adapta e reinventa.

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