Polícia Penal de Londrina reforça necessidade de ala hospitalar exclusiva para pessoas privadas de liberdade
Segundo o vereador de Londrina, Marinho, o Hospital Universitário (HU) é o espaço mais adequado por oferecer estrutura completa e condições de segurança

A Polícia Penal tem como missão a custódia das pessoas privadas de liberdade (PPLs) e a execução de políticas de reintegração social por meio de estudo, trabalho e cursos profissionalizantes. Em Londrina, a regional coordenada por Elcio Martins Basdão é responsável por 78 municípios, que concentram cerca de 7.800 detentos, distribuídos em 18 cadeias públicas, seis penitenciárias e um posto avançado de monitoração eletrônica.
Segundo Basdão, a Polícia Penal atua de forma integrada em diferentes setores: o Setor de Operações Táticas, SOT, responsável por transferências e escoltas; o Setor de Operações e Especiais, SOE, que realiza intervenções e revistas nos estabelecimentos; e o Núcleo de Inteligência, que concentra informações estratégicas. A estrutura também conta com equipes multidisciplinares, formadas por psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, profissionais de saúde e administrativos.
Com 32 anos de carreira, Basdão destaca uma demanda antiga e urgente para Londrina: a criação de vagas hospitalares exclusivas para detentos do regime fechado. Recentemente, um episódio no Hospital da Zona Norte colocou pacientes, policiais penais e servidores da saúde em risco, quando um paciente tomou a arma de um agente durante escolta, resultando em disparos dentro da unidade. Foram dados seis disparos na unidade, mas ninguém se feriu.
O vereador de Londrina, Marinho, também abraçou a pauta. Ele esteve em Curitiba para tratar do assunto com o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, e apresentou um requerimento aprovado por unanimidade na Câmara Municipal. As tratativas envolveram ainda o prefeito Tiago Amaral, a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, e representantes da Polícia Penal. “Se não avançarmos logo, corremos o risco de uma tragédia dentro dos hospitais, já que detentos convivem no mesmo espaço que idosos, crianças e outros pacientes”, alertou o parlamentar.
Casos semelhantes já ocorreram em outros estados, como Minas Gerais, onde um preso assassinou um policial penal após conseguir tomar sua arma dentro de um hospital. Em Londrina, além do episódio na Zona Norte, houve recentemente uma tentativa de desarmar um vigilante no Hospital da Zona Sul.

Foto: Cleber Correia / @iatcleber
A proposta defendida por Basdão e por Marinho é de centralizar as internações de presos em uma única ala hospitalar em Londrina, nos moldes do que já existe em Foz do Iguaçu e Guarapuava. Segundo o vereador, o Hospital Universitário (HU) é o espaço mais adequado por oferecer estrutura completa e condições de segurança. “Uma ala exclusiva traria mais tranquilidade não só para os policiais penais e detentos, mas também para profissionais de saúde e para a população em geral”, reforçou Marinho.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado e com a Secretaria Municipal de Saúde, ambos relataram que a demanda está sendo tratada em nível central. A secretária de Saúde de Londrina, Vivian Feijó, falou que aconteceu uma reunião no gabinete do prefeito Tiago Amaral para ampliar as ações. Novas discussões devem ser feitas em breve.